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 Distrito 04

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Alastor Romanov
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Data de inscrição : 07/01/2016
Localização : Capital

MensagemAssunto: Distrito 04   Sab Jan 09, 2016 10:13 am



DISTRITO 4


"O Distrito 4 é um dos distritos mais ricos de Panem. Sua indústria é a pesca, que é útil para os tributos nos Jogos Vorazes: eles têm experiência na utilização de redes e tridentes, formando anzóis a partir do zero, são bons nadadores, e sabem identificar a vida marinha comestível. "


Antecipando os dias da Colheita, o ambiente no Distrito 4 estava longe de ser tenso. Os mais fracos sempre se sentiram seguros por saberem que sempre terão os Carreiristas como voluntários, porém o voluntariado aqui não era tão comum quanto nos outros distritos carreiristas.


ATENÇÃO: Utilize este tópico para interagir dentro do seu Distrito (sozinho ou com o seu companheiro de Distrito). Pode falar de tudo, desde do que está fazendo até ao que está sentindo. Aproveite para desenvolver a história do seu personagem. A postagem não é obrigatória, mas apenas a faça se tiver a certeza que não mudará o distrito e ocupação do seu personagem depois. E lembre-se: O seu personagem ainda não foi escolhido na Colheita.

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Fleur Greircraft

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Localização : Distrito 4
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MensagemAssunto: Re: Distrito 04   Sab Abr 02, 2016 6:32 pm


Fleur Greircraft
"Because after all nothing is indestructible"

A confusão do mercado principal da zona em que moro do Distrito 4 é canção para os meus ouvidos. Enquanto caminho entre as pessoas, presto atenção no rosto de cada um, gravando os mínimos detalhes de suas expressões. Poucas vezes por mês eu veio a terra firme, por isso sinto a necessidade de aproveitar tudo o que posso deste lugar. É como se fosse uma planta medicinal que tirasse a toxicidade dos dias que fico no meio do mar, sempre vendo as mesmas caras grotescas. Não é fácil viver como eu vivo hoje, mas não há outra possibilidade, por enquanto. Eu escolhi isso, agora tenho que arcar com as consequências.

Entro em um pequeno estabelecimento que conheci há alguns anos, quando eu ainda morava em terra firme. O barulho da sineta em cima da porta logo chama a atenção de um senhora muito simpático que me conhece tão bem quanto eu mesma. Talvez, posso dizer que esse homem que possui tantas rugas por conta da sua já avançada idade é meu único amigo. Um homem tão sábio que conseguiu alcançar a velhice, feito que poucos conseguem neste lugar. Nós do Distrito 4 somos fortes, mas nosso estilo de vida é perigoso.

— Sempre pontual, a Srta. Greircraft. - sua fala cansada e rouca termina em um sorriso quase banguela.

— Já te falei para parar de me chamar assim. Se insiste que eu te chame pelo primeiro nome, Salazar, não tem o porquê de me chamar assim. - me seguro para continuar séria.

Cumprimento o velho com um beijo em sua bochecha e me sento na cadeira ao seu lado. Salazar sinaliza para seu filho que está do outro lado do balcão para que ele trouxesse mais um copo para que eu pudesse acompanhá-lo no chá, mas como o garoto já sabia o que deve fazer todas as vezes quando eu chego, ele já está com um copo na mão pronto para trazê-lo para mim. O magricela com nariz de batata deixa o copo na mesa e sorri para mim, mas logo se afasta para levar bebidas para uma outra mesa. Salazar insiste em querer me casar com Soren, mas, além do garoto ser dois anos mais novo que eu, ele é feio e sem graça. A única coisa que sabe fazer de excepcional é fabricar bebidas tão bem quanto o pai. Salazar ensinou seu dom para Soren tão bem que o garoto logo, logo administrará tão bem este lugar quanto seu pai. Se o rapaz não tivesse sido adotado, eu diria que isso seria já algo no sangue deles.

Salazar me serve com um chá extremamente cheiroso. Como se fosse um ritual, ele me avisa que o chá está quente e me observa silenciosamente até que eu experimente uma de suas novas invenções. Dou uma bebericada no líquido fumegante e a sensação de prazer é imediata. Não sei o que esse velho enfiou neste chá, mas é algo que eu poderia tomar todos os dias da minha vida que eu nunca enjoaria.

— Pela expressão, vejo que gostou.

— Se eu gostei? Isto aqui é perfeito! - bebo mais um pouco e repouso a xícara no pires - Caramba, Salazar! Como você consegue? Não, você vai me falar o que enfiou aqui!

Ele sorri de forma travessa e sinaliza um sucinto não com a cabeça. Reviro os olhos e repouso minha mochila em cima da mesa. Lá de dentro tiro vários potinhos e vidrinhos, cada um com um ingrediente diferente. Novamente, Salazar sinaliza para Soren, mas o garoto já sabia o que fazer. Não demora muito até que ele traga uma sacola cheia de saquinhos de chá e algumas garrafas de bebidas alcoólicas, que eles mesmos fabricam em casa.

— Eu sei que você vai ficar bem triste, mas eu preciso ir. - digo, já guardando dentro da mochila as coisas que recebi em troca - Nossa parada aqui será breve. Nem vai dar tempo dos pescadores irem para casa desta vez.

— Eu já esperava por isso. Mas da próxima vez, vai me prometer que ficará o dobro do tempo aqui com seu sogro.

— Até mais, Salazar. - reviro os olhos e jogo a mochila nas costas - Vejo vocês em breve.


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Damian Miller

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MensagemAssunto: Re: Distrito 04   Qui Maio 12, 2016 12:48 pm


Matthew Seaphox



Como toda manhã, não consigo me forçar a ficar com os olhos fechados enrolando na cama do quarto como qualquer pessoa normal faria, vejo isso como uma total perda de tempo. Preciso ficar mais forte para quando chegar a minha vez de jogar.
A imagem do meu irmão sendo morto me vem novamente à cabeça. A traição de Alpha e sua aliadinha mentirosa com Connor e Tori.
A 27º Edição dos Jogos Vorazes já está praticamente no fim e o Distrito 4 foi um completo fiasco, muito diferente do que havia sido na 26° edição.
Talvez se Tori não tivesse ido aos jogos, as coisas teriam sido diferentes para Connor. Talvez ele não tivesse se segurado tanto como se segurou. Talvez...
Ainda assim, Tori Miller conseguiu enfrentar o distrito 6 no final de tudo. Morreu? Morreu. Mas ela fora absurdamente corajosa, diferente dos nossos carreiristas desse ano.

Depois de tudo o que houve, eu e Cloe começamos a morar com os pais de Tori, já que viramos orfãos. Meu pai encontra-se desaparecido, e há quem diga que Borton fora enforcado em praça pública. Mas eu sinceramente nunca vi nem uma foto ou documento que comprovasse isso.
Cloe está trabalhando com a mãe de Tori no mercado de peixes. Às vezes quando tudo está escuro, ouço seu choro debaixo do travesseiro e acabo fazendo algo que jamais faria por qualquer outra pessoa. Deito-me com ela na cama, a abraço e fico lhe fazendo cafuné até que ela durma. Cloe dentre todas as pessoas é a que menos merece conviver com esse tipo de dor. Por isso prometi a ela que quando for a minha vez, eu vou voltar.
Com o dinheiro de Borton, ainda consigo pagar minha academia carreirista por tempo suficiente até que os jogos cheguem, sem precisar de ajuda alguma dos pais de Tori.

Saio da cama começo a fazer flexões no quarto. Minha intenção é me voluntariar na 28º edição dos jogos, mas meu treinador disse que já temos um carreirista masculino que irá se voluntariar na próxima edição. Mas não vou desistir tão fácil, não mesmo, ainda mais sabendo que o próximo carreirista é um Miller.

Depois de tomar o café da manhã ao lado de Cloe e dona Martínia, sigo no trote até o treinamento carreirista.
Sinto meu corpo pegando fogo de tão confiante que estou em desafiar Damian na frente de todos para decidir quem realmente será o próximo voluntário.
Ao chegar na base de treinamento, encontro tudo fechado com um cartaz na porta que dizia: "Fechado por conta dos Jogos Vorazes".
Merda. Nossos tributos já morreram, não tinha porquê torcer para mais ninguém.

No caminho de volta, vejo várias pessoas em uma tenda, assistindo aos jogos.Entro ali para ver o que estava acontecendo. Só existem 5 tributos vivos e parece que o final estava chegando.
Puxo um assento de madeira para mim e me junto com aquelas pessoas para ver o que vai acontecer. Posso até não ter treino físico hoje, mas seria bom ganhar essa experiência de ver o que é que vai acontecer nessa reta final dos Jogos Vorazes.
Peço ao garçom um copo d'água bem gelado e uma pessoa se senta ao meu lado. Eu reconheceria aqueles dreads em qualquer lugar. Damian.

- Oh! Marfim! - Ele diz, sorrindo. - Veio assistir a reta final dos Jogos?

- É o que parece. E meu nome é Matthew.

- Claro que é. E o que foi que eu disse? - Ele passa os olhos pela TV e sorri. - Parece que a coisa vai ficar feia por ali. É bom para você ver esse tipo de coisas, Marfim, já que daqui uns dois ou três anos eu possa ser seu mentor...

Nem fodendo.

- É. - respondo.

- E então, como está a mãe de Tora? Continua linda como meu pai sempre achou?

- Tori era sua prima, consegue errar até o nome dela?

- Não sou bom com essas coisas, como você pode ver.

- E com o que você é bom? - pergunto, desafiando-o.

Ele me devolve um sorriso malicioso e maldoso ao mesmo tempo.

- No treinamento eu te mostro, Marfim.

Damian Miller vira seu copo de cerveja e limpa sua boca com as costas da mão.

- Aaaaah. Isso é bom demais. - Diz ele. - Olhe Matthew Seaphox, olhe bem para a TV e veja que as coisas são muito diferentes nos Jogos do que nos treinos.

Vejo que Damian estava falando sério, principalmente pelo seu tom de voz e por ter pela primeira vez na vida acertado o nome de alguém. Viro meu copo d'água gelado e então olho para a TV, esperando absorver ao máximo todas as coisas que iriam acontecer.



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Damian Miller

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MensagemAssunto: Re: Distrito 04   Dom Jan 08, 2017 12:37 pm


Damian Miller


Abro os olhos no meio da chuva. Deixo a água cair em meu rosto nessa tarde quente. Abro os braços e continuo correndo, me permitindo molhar ainda mais todo meu corpo. Os Jogos estavam se aproximando, eu teria apenas mais alguns meses para me preparar, já que Briano Dalderige havia ganhado os jogos.

Vejo uma roda de pescadores voltando do mar com o marco e acabo ouvindo o resto de sua conversa.

- Pobre garota. Sobreviveu por tudo aquilo e acabou sendo explodida. - disse o homem barbudo.

- E quanto à carreirista do Distrito 2? Morreu queimada com uma bomba! - o outro, gordo e careca disse, impressionado.

- Mas quem liga para esses carreiristas porcos? Só pensam em matar. - Retrucou o barbudo.

Antes do careca responder, ele me encara, notando que eu o encarava.

- Oh! Falando em carreiristas, olha só nossa promessa, treinando até debaixo da chuva.

O gordo parecia simpático, quanto ao barbudo, gostaria de poder enfiar uma adaga no meio da sua fuça. Sorrio para ambos.

- Não parem a conversa por mim! O carreirista porco está de passagem. - Gargalho enquanto olho para o barbudo.

- Não foi isso que eu quis dizer, estava me referindo aos carreiristas dos outros distritos!

- Claro que estava, Jureg. Ainda mais defendendo a morte de uma pessoa que matou alguém do seu distrito. - Digo, voltando a trotar pela beira da praia.

Ouço o barbudo gritando seu verdadeiro nome, mas não interrompo minha corrida. Se o carreirista do 2 venceu, foi por mérito. Porcos ou não, somente os carreiristas sabem o quanto treinam para vencer aos Jogos Vorazes. Quanto ao restante, sentia pena por não ter a mesma chance de preparação que a nossa, sem dúvidas os Jogos seriam bem mais interessantes de todos fossem carreiristas. Mas algo me intrigava naquela garota da final. Ela sozinha havia derrotado dois carreiristas logo de início, talvez esses underdogs não devessem mais ser subestimados como realmente são.

Chego em casa e já vou direto para o banho. Ouço minha mãe gritar sobre não entrar em casa molhado, mas finjo que não escutei, não queria levar mais um xingo.

Depois do banho ligo a TV para ver as reprises dos Jogos Vorazes e o anterior a esse. Já havia estudado o físico, agora era hora de treinar como isso funcionava na vida real.

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Fleur Greircraft

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MensagemAssunto: Re: Distrito 04   Sab Jan 21, 2017 7:20 pm


Fleur Greircraft
"Because after all nothing is indestructible"

— Beba antes que fique quente.

Salazar se senta ao meu lado, mas não tiro os olhos da televisão. Comentaristas ainda revivem os momentos do garoto do Distrito 2 que venceu a última edição dos Jogos Vorazes, comparando alguns feitos do rapaz com alguns dos vitoriosos passados. Ele compara sua garra e sua sede de morte com dois dos vitoriosos do seu próprio distrito, Tristan Jordan e June Naysmith. Também, comparam os momentos finais de sua edição com alguns dos vitoriosos que usaram as aberrações da Capital em seu próprio favor. Mostram alguns momentos das edições desses vitoriosos, mas uma delas me deixa desconfortável. Volto meu olhar para o copo de refresco caseiro fabricado por meu amigo.

— Nunca mais os viu?

— Não. - respondo secamente.

— Não me diga que está com ciúmes da nova criança que eles-

— Só não tenho cara de aparecer na casa da mulher que cuidou de mim e eu agi daquela forma tão ingrata. - corto Salazar, de uma maneira rude demais - Caí na real agora e... Tô com muita vergonha de voltar a agir como se nada tivesse acontecido...

Ficamos em silêncio por alguns segundos, que parecem durar uma eternidade. Continuo encarando o copo com o líquido âmbar, como se cada detalhe do recipiente precisasse ser analisado. Salazar se levanta, coloca a mão em meu ombro e suspira.

— Não perca tempo, menina. Hoje, estamos aqui. Amanhã, não se sabe. Eles te amam e nunca te julgaram por isso. - ele dá dois tapinhas em minhas costas e sai - Espero que tenha trazido o combinado, porque tenho mercadoria de primeira aqui para você.


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Damian Miller

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MensagemAssunto: Re: Distrito 04   Sab Jan 21, 2017 8:37 pm


Damian Miller



Nos meus sonhos a vida é só tempestade, e nós somos tudo aquilo o que ela carrega consigo no meio da tormenta que devasta o que chamamos de nosso. Sinto o chão eclodir e o cheiro de podridão fixa no ar, me deixando completamente asfixiado. Eu não conseguia me mexer, não conseguia transmitir movimentos da minha cabeça pro resto do meu corpo, mas eu estava lá, sendo punido pela ferocidade mundana que me batia à porta.

Abro os olhos, pingando suor. Passo a mão na minha testa e volto a cabeça no travesseiro. “Foi só um sonho”. Só um sonho...

+++

Levanto mais um copo de cerveja gelado no bar do Airsmith, um homem gordo e velho, comerciante e pai de família, um senhor de respeito.

- À vida!

- À vida! – outros levantavam os copos comigo.

Me viro para Airsmith e sorrio quando o vejo lavando a louça.

- Por que não contrata alguém pra te ajudar nesse cafundó?

- Por que você não vai fazer o que todo Carreirista faz de melhor?

- E o que os carreiristas fazem de melhor, Gordo?

- Cuidam da própria vida. – O velho gargalha e passa o pano de prato na testa, mostrando que não era nada higiênico com suas coisas.

- Faremos um trato então! Eu cuido da sua vida e você da minha, o que acha!?

- Se você fosse um dos meus filhos a primeira coisa que eu faria era arrancar esses dreads nojentos da sua cabeça.

Começo a rir, com um olhar irônico.

- Se eu fosse um dos seus filhos, te diria que meus dreads são mais limpos que seu pano de prato com suor.

O gordo começa a corar, o que torna suas bochechas ainda mais vermelhas do que já são. Ele dá de ombros e continua.

- Muito boa sua resposta, Miller. A próxima é por minha conta.

- Assim que eu gosto!

+++

Depois de me embebedar o suficiente, Airsmith começa a fechar o bar. Olho para o lado de fora e percebo que o tempo estava escurecendo. Levanto-me da cadeira e acabo me apoiando na bancada do bar. Estou bêbado. O pensamento e minhas ações involuntárias me fazem rir, mas rir fazia meus olhos se fecharem e tudo ao meu redor girar. É melhor eu manter os olhos abertos.

- Não quer ir para minha casa? – pergunta Airsmith. – Você não me parece em condições de voltar seguro para a sua, além do que, em 15 minutos teremos à entrevista com o último vitorioso! – ele responde, animado.

Olho para Airsmith e concordo com a cabeça.

- Está bem... Mas antes – levanto à mão que carrega uma caneca vazia – um brinde ao último vitorioso, anti-explosivos, Ryan Nalderige!

+++

Chegando na casa de Airsmith, o velho gordo grita para sua família falando que trouxe visitas. Eu mesmo já estava me sentindo bem melhor, principalmente por ter abraçado o vaso no estabelecimento.

Cumprimento a esposa de Airsmith, que estava amamentando seu bebê, e sento ao lado dos seus dois filhos, gêmeos, Saul e Rolah

- É Paul e Loras – repete o baixinho, como se adivinhasse que eu erraria seu nome mais cedo ou mais tarde.

- E você é qual deles mesmo?

- Loras Airsmith – ele responde, me dando um soco.

Para uma criança de... sei lá quantos anos 5, 6, 7 ou 8, o soco de Rolah era bem fortinho. Enquanto brincava com as crianças de bagunçar seus cabelos, o anúncio da TV sobre a entrevista estava tendo sua entrada. Paro de brincar com ambos e me ajeito também. O Pai Airsmith estava com um ar de concentrado olhando para a tela, como se Ryan fosse alguma espécie de filho para ele.

- Torceu para ele, Gordo?

- Não só torci como ele me levou à pensar que a partir do ano que vem, pagarei a escola de carreirista para meus meninos. Não quero ter que pensar na possibilidade de algum deles ser escolhido e não saber se virar lá dentro.

Fixo meu olhar nele. Não sabia ao certo dizer se Airsmith estava brincando ou falando sério, mas sua resposta me fez rir e bagunçar a cabeça de Rolah.

- Então talvez eu seja o mentor desses pestinhas daqui alguns anos!

Rolah me olha, animado.

- Pai, quero que o tio Dreads seja nosso mentor, e quero dreads iguais ao dele!

Tanto eu quanto Airsmith começamos a gargalhar, até que o pai das crianças corta minha gargalhada com sua resposta.

- Ele pode até ser seu mentor, Loras, mas nem fodendo que você vai ter essa merda empalhada no lugar dos cabelos!

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Wallace McQueen

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MensagemAssunto: Re: Distrito 04   Sex Fev 03, 2017 9:03 pm



Turnê da Vitória



Depois da confusão no Distrito 5, Brian chega no Distrito 4, lugar de paisagens magníficas e praias paradisíacas. O rapaz se surpreende com os barcos e navios no porto, além da incrível simpatia do povo. Pela primeira vez, o mais novo vitorioso não se sente mal tratado.

Já no Edifício da Justiça, Brian é surpreendido pela chegada de todos os vitoriosos do Distrito 4. Todos eles chegam juntos e, diferentemente dos vitoriosos da maioria dos outros distritos, tratam o rapaz bem. Leonel cumprimenta de longe o rapaz, com um bom dia bastante audível. Mags e Lartius dão um aperto de mão no vitorioso, sendo seguido por um tapinha nas costas pelo homem. Já Hammil abraça o rapaz, com um sorriso de orelha a orelha, como se estivesse feliz em vê-lo. No palco, a população aplaude com vontade, com direito até a alguns gritinhos e assobios.

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No pedestal de Isabelle, estão sua mãe e sua irmã de um lado e seu pai do outro. No de Steve, estão seus pais e um casal de irmãos mais novos.

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Brian Alderidge

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MensagemAssunto: Re: Distrito 04   Dom Fev 05, 2017 1:53 pm


Brian



Já com June e Robert ao meu lado, a vitoriosa do '5 segue logo atrás de mim e consigo ouvir o barulho do seu salto batendo no chão. Eu tinha certeza que era de propósito.

Não se ache muito, queridinho. Você só é mais um carreirista entre muitos. Já Anastácia... Hmm... Aquela garota tinha algo a oferecer, não é mesmo? - Diz ela, com passos rápidos segurando o vestido para não tropeçar no salto, tomando um caminho diferente.

Robert parecia ter gelado com as palavras de Holly, enquanto June apenas solta uma gargalhada. Apenas sorrio ao ver June gargalhando, mas tinha uma coisa que me incomodava no jeito de Holly falar o quão especial sua mentoreada havia sido. Algo a oferecer.

Paro no meio do caminho ao ver Holly seguindo por outra direção. Tento buscar palavras, mas não consigo encontrar nenhuma. A mentora já havia seguido adiante, enquanto eu ainda buscava palavras para ofendê-la.

- Você está certa, mentora. – Digo, baixinho, quase sem nem ao menos ouvir o próprio som da minha voz. Cerro os punhos, ainda buscando qualquer outro sentimento que não fosse raiva.

June me puxa pelo braço, entediada. Puxo meu braço de volta e peço para que ela siga em frente.

- Ai se essa aí estivesse no shopping... - diz June, gargalhando novamente, colocando o braço em torno do pescoço de Robert, para fazer um cafuné.

Entro minutos depois da minha mentora e meu acompanhante no trem. Alguns pacificadores tiveram que me acompanhar até o trem, caso contrário eu atrasaria toda a viagem para o Distrito 4. Foda-se o Distrito 4.

Entro no vagão e o trem começa a viagem. Pego um copo de água na cozinha sem nem ao menos me dar o trabalho de olhar para a cara de algum avox, acompanhante ou o caralho a quatro. Giro a maçaneta e entro no quarto. As palavras de Holly ainda ecoavam na minha cabeça. Por quê fiquei tão incomodado com o que aquela mentora disse?

Pego Filha da Puta e folheio as páginas, lendo tudo o que escrevi nos últimos dias. Percebo depois de ler umas três vezes que todos os dias desde que passei no ’11 venho buscando por algo que me completasse. Eu não procurava completar algo ou alguém, eu procurava algo para mim. Meu egoísmo falava muito mais alto quando o assunto se tratava de “oferecer algo”. Jogo o copo cheio de água na parede vejo o vidro partir em mil pedaços. As viagens dos vitoriosos do ‘2 me vem à cabeça. Não fiz nada diferente deles, sendo carreirista. Eu não venho fazendo diferença alguma. Sou como um pacote de farinha do mesmo saco que não sabe expressar meus sentimentos caso não haja sangue envolvido.

Dou o primeiro soco na parede. Sinto meu punho arder com o impacto da estrutura construída pela Capital. Um segundo soco com a mesma mão. Já vejo algumas marcas roxas aparecendo no braço fechado e forte.

- Filha da puta! – mais um soco. – FILHA DA PUTA! – Grito tão alto que acredito que todo o vagão escutou minha voz. Começo a encher a parede do quarto de socos, enquanto da minha boca só era possível ouvir uma única vogal.

Eu não sou bom o suficiente. Não matei tanto quanto June, não sou tão simpático quanto Aaron e nem mesmo inteligente como Gunnar. Não fiz porra alguma além de jogar um bestante e explodir uma garota. Uma garota que todos os Distritos anteriores vangloriavam de pé. Despenco, de joelhos no chão. Minhas mãos estavam cheias de sangue e tremiam. Ouço Robert batendo na porta, preocupado.

- Estou bem, caralho!

Ouço um chute na porta do quarto e a tranca se quebra. June entra e senta do meu lado, olhando para minhas mãos, trêmulas. Ela passa uma das mãos no meu rosto e pede para um avox que estava na porta trazer dez pratos. Pouco tempo depois o avox volta com vários pratos em mãos. June pega os pratos e coloca no chão, segurando um único na mão.

- Tá esperando o quê para começar a quebrar essa merda na parede?

Limpo as lágrimas que estavam querendo sair dos olhos e me coloco de pé, segurando todo o monte de pratos nas mãos. June faz o início, jogando o primeiro prato na parede. Eu pego o segundo, colocando toda a raiva que sentia naquela merda. Atiro e estilhaço o prato na parede.

Mesmo com o convite de June para passar a noite em seu quarto, decido recusar sua grande proposta de me matar enquanto dormia e acabo ficando com o sofá. Passo o resto da noite vendo fitas dos jogos anteriores, em especial as fitas da edição de Viúva Negra, a 9º edição dos Jogos Vorazes. Holly ainda era uma garotinha pequena e indefesa e fez aliança com carreiristas durante sua edição, atacando o rapaz pelas costas quando finalmente sobraram apenas os dois na final. Ela era extremamente convincente, mas tinha ganhado a fama de falsa durante os anos. Isso explica o porquê de Holly Jones ter me deixado com uma baita enxaqueca.

Pego a tabela de popularidade durante a final dos Jogos Vorazes e me surpreendo com o resultado. Realmente Anastácia tinha a maioria a seu favor, comigo seguindo logo em sua cola. Holly não estava mentindo completamente, o que ainda me fazia pensar na tamanha arrogância e egoísmo com que tratei a situação em alguns dos últimos Distritos.

Sabia que não precisava ser simpático com ninguém, todos ainda olhariam para mim da mesma forma, mas eu podia achar minha forma de fazer a diferença. Buscar algo a oferecer.

Na manhã seguinte, levanto muito mais disposto, apesar de ter dormido por apenas algumas horas. A pomada que passei no punho já tinha fechado as cicatrizes, me deixando apenas com alguns hematomas leves. Sigo atrás da equipe de preparação para me deixarem pronto para visitar o Distrito 4, um Distrito no qual não tive o mínimo contato durante os Jogos.

A princípio eu não esperava nada de diferente no Distrito, até Robert me passar as informações e dados dos mortos. O rapaz foi morto na caverna, sozinho, enquanto a menina havia sido morta por Anastácia. Uma dúvida rapidamente me vem à cabeça. Será que pela primeira vez durante toda minha turnê eu seria bem recebido por algum Distrito?

A porta do trem se abre e me surpreendo com a pureza e tranquilidade do lugar cercado por praias e navios. Morar no Distrito 4 não me parecia ser algo ruim. Caminho em direção ao Edifício da Justiça e vejo os Vitoriosos do ‘4 esperando por mim, sorrindo. Quê?

Recebo um “Bom dia” de Leonel, o primeiro vitorioso entre eles, seguido por um aperto de mão de Lartius e Mags, que educadamente me perguntam da viagem e como eu estava. Hammil seguia logo atrás deles, estendo minha mão para cumprimenta-lo, mas ele logo me da um abraço, com um sorriso bem largo e simpático. Esse dia já está começando muito estranho.

- O que eu perdi? - digo para Robert, que me responde com um sorriso, explicando que aparentemente o Distrito 4 me queria bem.

Sou surpreendido pela segunda vez quando entro no palco para falar com o público. Eles estavam... Me aplaudindo? Realmente esse dia não poderia ficar mais estranho. Desde que fui recebido no ‘2 não tinha algo assim. Sorrio para a população e deixo o cartão que Robert me deu de lado. Não vou ler mais cartão algum.

- Muito obrigado pela recepção calorosa com a qual vocês me receberam, sem dúvidas isso me deixa muito feliz. – digo, tranquilamente. - O Distrito 4 assim como o ‘2 sempre vem com força máxima para os Jogos, assim como fizeram em todas as edições anteriores, trazendo 4 grandes vitoriosos para o Distrito. – Olho para os pedestais e vejo a família da garota, aparentemente os pais dela me olhavam calmamente, com lágrimas nos olhos - Dei o meu melhor e espero que o coração de vocês seja confortado. Sem dúvidas eram bons carreiristas.

Ouço alguns gritos e assobios da plateia e mais aplausos. Levanto uma das mãos e novamente cumprimento os vitoriosos antes de sair. Sorrio para June e Robert. Agora tudo o que eu precisava fazer era encontrar algo a oferecer.



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Damian Miller

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MensagemAssunto: Re: Distrito 04   Dom Fev 05, 2017 4:39 pm


Damian Miller


Em mais um dia comum e inspirador na vida de Damian Miller, acordo cedo para fazer minha corrida matinal pela praia, mas ver meus pais juntos tomando um longo café da manhã me fez sentar ao lado deles. Sem dúvidas formavam um casal muito bonito.

- Você vai assim pra praça principal? - pergunta meu pai, julgando minha regata básica e meu shorts da academia carreirista.

Sorrio para meu pai e pego uma torrada.

- O que teremos na praça principal, papito?

Minha mãe toma mais um gole de chá e segura minha mão. Ela sempre faz isso quando vai me explicar alguma coisa, não sabia ao certo se era mania de mãe ou se só a minha veio com essa habilidade.

- O vitorioso vai estar lá, querido.

Ah, era verdade. Ryan Jungernauderige ia estar no Distrito 4 hoje. Até onde sei, o novo vitorioso não tem sido bem recebido nos outros Distritos, principalmente no '5 e '11. Acho que o rapaz merece um pouco do nosso amor.

Sigo junto com meus pais até a praça, mas acabo deixando eles lá para seguir até onde os futuros carreiristas estavam. Eu, infelizmente, era o mais velho. Vejo o pequeno Seaphox junto com sua irmãzinha e a mãe de Dory, minha prima falecida. Todos estavam reunidos com a gente. Sigo até a mãe da prima e dou um abraço apertado nela.

- A senhora tá melhor, tia?

Desde a turnê do vitorioso do '6, Beta Mallfoy, minha tia bonitona tem estado bem triste quando os novos vitoriosos vem ao distrito. Ela assente com a cabeça, limpando uma lágrima. A pequena Clore da um abraço nela, mas eu imaginava que não era fácil. Passo os braços ao redor do ombro de Mathias Searraposa.

- Preste bem atenção nesse vitorioso, Mathias. Daqui alguns anos será sua vez, aprenda a não cometer todos os erros bobos que ele cometeu nos últimos Distritos que passou.

- Meu nome é Matthew, cara. E do quê você tá falando?

- Claro que é, foi o que eu disse. - sorrio e me afasto. - O que estou falando é que somos treinados para matar, mas também devemos abrir portas pro mundo aqui fora. Afinal, o que vem depois dos Jogos, Mateus?

O rapaz faz uma cara confuso e então volta a olhar para frente. O vitorioso estava chegando, logo atrás dos nossos vitoriosos. Todos pareciam bem felizes, inclusive Lyann, o Vitorioso.
Nosso Distrito parecia satisfeito, com palmas e uma vibe positiva para o Vitorioso. O rapaz sorri e agradece nossas palmas.

Os futuros carreiristas que estavam do meu lado gritavam para Ryan. Afinal, ele tinha nos vingado matando a pessoa que matou nossa coleguinha de classe. Se a protagonista de Cinquenta Tons de Cinza estivesse aqui, talvez a coisa teria sido um pouco diferente.

O vitorioso deixa o cartão de lado e mostra que está tentando se esforçar para agradar o público. No final do seu discurso mais palmas e gritos de felicitações. De fato ele não era bom com palavras, mas ele havia sido um espelho para esses moleques que querem ir para a arena, assim como nossos vitoriosos.


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Hammil Heriot

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MensagemAssunto: Re: Distrito 04   Dom Fev 05, 2017 11:26 pm


Hammil Heriot

Sigo em direção ao Edifício da Justiça com Leonel, Mags e Lartius. A vitoriosa entrelaça o braço no meu enquanto lhe conto histórias engraçadas. O dia era propício e arrancar os risos de Mags era a coisa mais gostosa de se fazer. Chegando no edifício, o pessoal tava um pouco agitado, cumprimento a todos com uma alegria enorme, mal podia esperar para a chegada do mais novo vitorioso.

Quando Brian Alderidge chega, espero que meus companheiros vitoriosos o cumprimente e em seguida lhe dou um abraço caloroso além de um beijo no rosto.

— Meus parabéns, Brian.

Me sento ao lado dos outros enquanto o rapaz faz o seu discurso, não consigo tirar o sorriso do rosto nem um segundo sequer, a vitória foi mais do que merecida. Me levanto no final e bato palmas até que o carreirista saia de cena.

— Ele só tá meio gordinho, né? – me viro para os outros vitoriosos, Mags cai na gargalhada.

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Oz Querubie

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MensagemAssunto: Re: Distrito 04   Dom Fev 05, 2017 11:41 pm


Oz Querubie

Termino o meu café da manhã ao lado de minhas irmãs e mamãe, o clima está bem mais tranquilo depois dos últimos acontecimentos, apesar de ainda perceber os desvios dos olhares de minha mãe sobre mim. Não sei o que acontece, se é pelo fato de eu ser um rapaz no meio de tantas meninas ou se eu realmente fiz algo de errado.

— Hoje eu vou mais cedo pra Praça, vou encontrar com Fleur e depois a gente vai dar uma volta na praia. – como sempre, deixo minha mãe ciente de tudo que faria no dia. – Até mais.

Dou um beijo no rosto da minha mãe e bagunço os cabelos de Azealia, ela odiava quando eu fazia isso ainda mais pelo fato de que teria que pentear os cachos dourados que facilmente se enroscavam. Sigo para a praça principal a pé, já que não é tão longe de casa, procuro no meio da multidão o rosto de Fleur mas parece quase impossível encontrá-la. Todos estão tão felizes e animados com a chegada do vitorioso que eu não entendo, quando na verdade eles queriam mesmo era que Steve voltasse com vida e não o manézão, ele nem fez nada demais. Se fosse uma June Naysmith, um Tristan Jordan, aí sim eu entenderia a animação.

Ouço o seu discurso com os braços cruzados, mas o semblante permanecia alheio de emoções, nem feliz mas também não irritado, pra mim é tanto faz. Onde é que está essa garota? Só quando finalmente acaba o falatório que eu encontro Fleur no meio da multidão.

— Aleluia, achei que teria que atravessar as cercas pra te encontrar. – dou risada para descontrair.

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Fleur Greircraft

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MensagemAssunto: Re: Distrito 04   Seg Fev 06, 2017 12:30 am


Fleur Greircraft
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Aportamos no cais apenas duas horas antes do vitorioso chegar. Como eu já imaginava que seria uma confusão só dentro do navio, fico pronta cinco horas antes de chegarmos. Como chegamos muito tarde, tivemos que parar bem longe do centro do distrito, de modo que precisamos pegar carona com os pacificadores para chegarmos a tempo. No fim das contas, acabamos chegando no momento em que Brian Alderidge começa o seu discurso, por isso ficamos um pouco mais afastados.

— Como o pessoal tá animado com esse rapaz! - comento com o meu pai, despretensiosamente. Ele, de braços cruzados, apenas concorda com a cabeça.

— Aleluia, achei que teria que atravessar as cercas pra te encontrar.

Meu coração acelera e viro-me abruptamente para dar de cara com Oz, que está com um sorriso descontraído no rosto, enquanto eu não consigo soltar uma só palavra por alguns segundos. Papai se vira para nós e olha com cara feia. Merda!

— Oz! Que susto! - obrigo-me a relaxar os músculos, para não parecer tão suspeito - Diga a Salazar que não faço negócios em feriados festivos. - pisco para o rapaz, que aposto não estar entendendo um nada sobre o que acabei de falar. - Pai, já volto. Vou dar um oi pro velho.

Puxo Oz pelo braço para sair de perto dos pescadores. Nunca comentei com o rapaz o quanto meu pai é ciumento comigo, principalmente quando o assunto é garotos. Não sei como ele reagiria se soubesse o que Oz e eu andamos tendo.

— Se quiser sobreviver para ver a luz do Sol de amanhã, sugiro que não se aproxime de mim perto de qualquer pescador que trabalha no Lotus... - coloco a mão em seu pescoço e o puxo para um selinho - Se meu pai souber, vamos ter problemas.


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Oz Querubie

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MensagemAssunto: Re: Distrito 04   Seg Fev 06, 2017 12:45 am


Oz Querubie

Recebo o selinho de Fleur e não deixo de dar risada, a preocupação dela era muito grande em relação ao pai quando eu sabia no que estava me metendo.

— Ele mexe com aqueles arpões? Eu acho que deve doer um daqueles... – fico um pouco pensativo até encontrar outro problema. – Ou ele vai costurar minha boca com linha de pesca pra eu nunca mais poder beijar a filha dele?

Sei que Fleur fica perdidamente louca com meus sorrisos, não deixo de fazer para em seguida lhe beijar carinhosamente.

— Você demorou, achei que nem te veria hoje. Lá em casa tá uma implicância que a única coisa que eu queria era ver você.

Fico um tempo navegando nos olhos claros daquela garota, como uma pessoa consegue ser tão bonita? Desvio esse tipo de pensamento e retomo para o que estava acontecendo no momento.

— O pessoal tava bem felizão com a vitória do Brian hoje, eu nem tanto porque né... – me recordo dos momentos que estive com o carreirista. – Steve era um cara gente boa, me ensinou bastante coisa na academia.

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Fleur Greircraft

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MensagemAssunto: Re: Distrito 04   Seg Fev 06, 2017 3:37 am


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— Ele mexe com aqueles arpões? Eu acho que deve doer um daqueles... Ou ele vai costurar minha boca com linha de pesca pra eu nunca mais poder beijar a filha dele?

Ele sorri e me beija. Devolvo o sorriso, mas ainda estou preocupada com o fato de alguém nos ver junto e contar ao meu pai.

— Você demorou, achei que nem te veria hoje. Lá em casa tá uma implicância que a única coisa que eu queria era ver você.

— Eu tenho que vir, se lembra? - mas ele não parece prestar a mínima atenção no que eu falo. Seus olhos me encaram profundamente, como se pudesse ler todos os meus pensamentos.

— O pessoal tava bem felizão com a vitória do Brian hoje, eu nem tanto porque né... Steve era um cara gente boa, me ensinou bastante coisa na academia.

— Imagino o quanto deve ser difícil para vocês verem os colegas irem para um destino incerto e voltar em um caixão. - volto a olhar para ele quando digo a última palavra. - Oh, me perdoa! Eu não quis dizer isso. Não quis ser insensível! Juro!

Com Oz eu consigo me libertar de algumas paredes e máscaras que eu criei ao longo desses anos convivendo com a tripulação do Lotus, mas às vezes me pego sendo extremamente grossa com ele. Esta não é a primeira vez. Para minha sorte, ele sempre me perdoa.


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Oz Querubie

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MensagemAssunto: Re: Distrito 04   Seg Fev 06, 2017 4:00 am


Oz Querubie

Fleur acha que tocou num ponto extremamente sensível dos carreiristas, mas na verdade trazer alguém do 4 num caixão já virou recorrente.

— Não, tudo bem. Até porque, desde que me conheço por gente, nosso distrito não trouxe nenhum vitorioso. – é claro que Hammil havia ganhado depois de eu nascer, mas não é algo que eu me recorde por ser bem criança na época. – Vem se tornando comum trazer nossos amigos no caixão... MAS eu vou fazer a diferença na arena, cê vai ver que em breve o Distrito 4 trará um vencedor Querubie.

Lhe dou um empurrãozinho no ombro e me encosto na parede ao seu lado, olhando para o chão e brincando com os poucos grãos de areia no chão de pedra. O silêncio predomina, algo ecoa em minha cabeça e por algum motivo decido compartilhar com Fleur.

— Lartius está preocupado. A 28ª Edição dos Jogos provavelmente não terá uma carreirista competindo, as meninas não estão se sentindo preparadas e nenhuma está com os 17, 18 anos pra se voluntariar. – agora eu encaro seus olhos de maneira preocupada. – Estão tentando convencê-las, eu mesmo disse pra Robuna que essa seria a oportunidade perfeita pra ela, mas mesmo assim ela insiste em mais um ano de treino. Não podemos fazer nada, afinal, a vida é dela e não nossa, o que nos deixa irritado é se uma das crianças for convocada e ninguém tomar o lugar dela. Pô, somos um Distrito Carreirista, pode ser qualquer uma das minhas irmãs.

Era nítida a preocupação que eu tinha, por mais que as brigas estivessem recorrentes em casa, eu as amava por demais. Não consigo imaginar Azealia com seus 14 e muito menos Peach com seus 12 sendo escolhidas quando chegar o dia.

— Se alguma delas for escolhida, eu me voluntario, não vou deixar nas mãos de qualquer outra pessoa as vidas de minhas irmãs, mesmo que eu ainda tenha os dois anos de treino pela frente.

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Fleur Greircraft

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MensagemAssunto: Re: Distrito 04   Seg Fev 06, 2017 5:13 am


Fleur Greircraft
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— Não, tudo bem. Até porque, desde que me conheço por gente, nosso distrito não trouxe nenhum vitorioso. Vem se tornando comum trazer nossos amigos no caixão... MAS eu vou fazer a diferença na arena, cê vai ver que em breve o Distrito 4 trará um vencedor Querubie.

Ele me dá um empurrãozinho no ombro e logo se cala. Fico olhando a expressão do garoto enquanto ele brinca com a areia do chão. Oz é um rapaz maravilhoso, mas um pouco ingênuo, característica comum entre os carreiristas. Mesmo vendo todos os anos o que os tributos passam em uma arena, suas esperanças ainda são altas sobre voltar vitorioso.

Lartius está preocupado. A 28ª Edição dos Jogos provavelmente não terá uma carreirista competindo, as meninas não estão se sentindo preparadas e nenhuma está com os 17, 18 anos pra se voluntariar.  – seus olhos se encontram com os meus, com uma transparente preocupação – Estão tentando convencê-las, eu mesmo disse pra Robuna que essa seria a oportunidade perfeita pra ela, mas mesmo assim ela insiste em mais um ano de treino. Não podemos fazer nada, afinal, a vida é dela e não nossa, o que nos deixa irritado é se uma das crianças for convocada e ninguém tomar o lugar dela. Pô, somos um Distrito Carreirista, pode ser qualquer uma das minhas irmãs.

Tudo o que Oz diz é verdade. Com tantas pessoas treinando, acaba sendo frustrante ver alguém totalmente despreparado indo para a arena.

Se alguma delas for escolhida, eu me voluntario, não vou deixar nas mãos de qualquer outra pessoa as vidas de minhas irmãs, mesmo que eu ainda tenha os dois anos de treino pela frente.

— Nada vai acontecer a elas. Você sabe disso. - beijo-o no rosto, sorrindo em seguida - Se qualquer uma delas for sorteada, te juro que eu mesma me voluntario.

Sorrio, mas sei que não é de verdade. As chances de qualquer uma das duas ser sorteada é mínima, até porque a família de Oz nunca precisou de tésseras. Nunca pretendi ir para os Jogos, muito menos me voluntariar. Com a sorte que eu tenho, posso até morrer por um erro no meu prato de metal que explodiu. Ir para os Jogos não está em nunca estará em meus planos, mas, por agora, Oz não precisa saber disso.


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Oz Querubie

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MensagemAssunto: Re: Distrito 04   Seg Fev 06, 2017 5:23 am


Oz Querubie

Recebo o beijo no rosto e posso afirmar que até que me motivou um pouco, só que a ideia de Fleur indo no lugar de qualquer uma das minhas irmãs para a Arena era completamente insana.

— Mas de jeito nenhum, se você for pra Arena vai ser impossível eu arranjar outra garota com uma genética igual a sua, nossos filhos vão ser lindos e eu preciso de você aqui pra isso. – falo num tom sério, mas logo depois dou risada indicando tudo ser brincadeira. – Olha, daqui há pouco começa meu treino, eu nem deveria ter te falado isso e deixado você pensando nessas coisas.

Tomo a frente de Fleur e a prenso contra a parede, com uma das mãos apoiada próxima de sua cabeça e nossos lábios quase se encostando.

— Fleur Greircraft... você me deixa louco, sabia? – ajeito uma mecha de seu cabelo para trás da orelha e a beijo delicadamente. – Seu pai já deve estar furioso, melhor você ir porque não quero ser empalado pelos arpões dele. – finalizo com um beijo no rosto e sigo caminho por entre a multidão. – Depois do treino, pôr do sol, no nosso ponto de encontro. Vê se não se atrasa.

Me despeço de Fleur e adentro o amontoado de pessoas, indo em direção à academia e dar início aos treinos.

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Damian Miller

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MensagemAssunto: Re: Distrito 04   Ter Fev 07, 2017 1:57 am


Damian Miller


Pouco depois de todo o alvoroço com o vitorioso do 2, sigo junto com os carreiristas em direção à academia. Não estava sendo fácil, apesar de todos aceitarmos Ryan como vitorioso, era muito difícil conviver com a quantidade de tempo sem um vitorioso. Minha opinião era que tínhamos caído na mesmice. Todo ano a mesma coisa, muito músculo e pouca cabeça. O vitorioso do '2, afinal de contas, era um pouco espertinho pra se livrar de tudo que livrou, como a estalactite, por exemplo, mas não mandava bem no quesito pessoas.

Como eu era o mais velho entre a rapaziada, falo logo para todos seguirem trotando até nosso verdadeiro treino, afinal, me sentia um pouco responsável por eles.

Já na porta da academia encontro uma das promessas para daqui poucos anos, Prometheus Beam sempre me fala bem do garoto, e não era atoa, afinal, o rapaz era um Querubie.

O rapaz olha para mim e me vê sorrindo, seguindo em sua direção.

- Ora, ora, ora! Se não é meu amigo EZ! - digo, sorrindo e dando minha mão para cumprimentá-lo. - Por que não ficou com a gente durante a recepção do ruivão?

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Oz Querubie

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MensagemAssunto: Re: Distrito 04   Ter Fev 07, 2017 2:10 am


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Faço minha caminhada até a academia carreirista, não demora muito pra eu chegar e assim que as portas automáticas se abrem e eu ultrapasso a catraca dou de cara com Damian, como sempre errando o meu nome. Não sei se ele faz de propósito ou se é só natural ele esquecer por mais que eu frequente a academia durante quatro longos anos.

— Eai, Demon. – rebato pra ver se ele percebe como me chamou.

Ninguém sabia de Fleur, pois, assim como ela me pediu, mantive segredo de nossos encontros só por precaução, já que o pai dela conhecia bastante gente no Distrito e poderia acabar arranjando problemas pra garota caso alguém soubesse do nosso caso.

— Então, eu cheguei meio tarde e fiquei lá no fundo, vocês tavam lá na frente, né?

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Damian Miller

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MensagemAssunto: Re: Distrito 04   Ter Fev 07, 2017 2:20 am


Damian Miller


Oz rebate também me chamando pelo nome errado. Não consigo conter a risada espontânea. Poucas pessoas sabem que faço isso de propósito, para pensarem que não estou levando a situação tão a sério, agindo mais como uma pessoa descontraída que sou. Mas ultimamente venho pensando tanto na próxima edição dos jogos que tô achando que erro sem querer.

- Agora faz sentido! Ficamos bem na frente, mas tava um alvoroço incrível, você fez bem em ficar no fundo. Você vai se voluntariar só daqui há dois anos, né? Infelizmente para mim não há disputas entre carreiristas, já você... - Respondo, indicando Matthew Seaphox, que seguia em direção ao professor Prometheus. Mesmo Matthew tendo só 15 anos, ele parece estar desesperado para se voluntariar e entrar prematuramente nos Jogos.


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Oz Querubie

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MensagemAssunto: Re: Distrito 04   Ter Fev 07, 2017 2:44 am


Oz Querubie

— Ah claro que não. Ele nem usa as mesmas armas que eu, não é tão bom no combate corpo a corpo e mesmo assim, sei que sou favorecido já que terei 18 anos na 30ª edição dos jogos. – olho para Matthew e arqueio os ombros. – Até porque essa é a ideia de carreirista, treinar o máximo até ser apto. Só é considerado o voluntariado precoce quando não há carreiristas com 18 no ano, que é o que vai acontecer agora na 28 com as meninas.

Procuro Robuna por entre os carreiristas e ela parece estar com a cara fechada como sempre, já tinha tomado a sua decisão e na próxima edição o tributo feminino será sorteado e não voluntário.

— Chega de papo mole, acho que tá na hora de treinar hehe. – sigo em direção às esteiras de corrida e ligo uma junto com Damian. – Tá ansioso pra 28ª?

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MensagemAssunto: Re: Distrito 04   Ter Fev 07, 2017 2:56 am


Damian Miller


O pequeno Querosene tem várias boas justificativas para tirar essa ideia maluca da cabeça de Mathias. Parece que eu podia usar desses argumentos com ele também. Sorrio simpaticamente, concordando com o que Ez disse e caminhamos para a esteira.

- Ansioso? Estou ficando louco. - Levanto as mãos para gesticular enquanto a velocidade da esteira aumentava e acabo tropeçando e quase caindo de boca no chão. Consigo recuperar o ritmo e evitar uma queda boba que levaria todos, inclusive o Professor Mr. Bean rir da minha cara. - Na verdade não sei o que pensar. Estou estudando diversos cenários, mas parece que nossos amiguinhos da Capital não tem gostado muito de padronizar uma Cornucópia. Desde a 25, tivemos três lugares completamente diferentes... Mas o que me deixa mais animado mesmo, será construir algumas boas alianças, não vejo a hora de conhecer os tributos da 28th.- digo a Oz, aumentando ainda mais a velocidade da minha máquina.


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Oz Querubie

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MensagemAssunto: Re: Distrito 04   Ter Fev 07, 2017 7:36 pm


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Dou risada e sacudo a cabeça enquanto corre na esteira depois de ver que Damian quase caiu só por gesticular, melhor ele se cuidar porque do jeito que ta indo vai acabar no banho de sangue. Porém vejo que ele tem determinação, se está até estudando os ambientes pra isso com certeza ele tem garra para vencer a mortal competição.

— Sério? – olho meio intrigado para Damian. – Você tá mais ansioso pra conhecer as pessoas que você vai ter que matar? Acho isso bizarro. Na minha vez eu nem sei se vou querer fazer essas alianças, chega uma hora que elas só te fodem. Imagina você faz aliança com uma Jade Crawford 2.0 e ganha um golpe quando menos espera da própria aliada? – sacudo a cabeça em negativa. – De jeito nenhum, aquela edição me deixou bastante pensativo pra essas alianças.

Volto a correr e olhar pra frente, onde há uma parede de vidro que nos permite ter uma visão magnífica do mar enquanto treinamos.

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Damian Miller

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MensagemAssunto: Re: Distrito 04   Dom Fev 19, 2017 8:33 pm


Damian Miller


Sorrio para Ez. De fato, eu queria conhecer as pessoas justamente para poder me lembrar delas quando eu tivesse que tirar suas vidas. Talvez minha ideia e comportamento de ser carreirista seja um pouco diferente dos demais.

- Se você for ver bem, Ez, vai perceber que se Jade Crawford não tivesse feito aquilo com a Arqueira gostosona do '2, a carreirista teria feito com ela e tudo seria diferente. - Continuo correndo na esteira, me lembrando daquela edição. Até onde me lembro Jade havia sim feito uma grande merda, uma merda que fez com que ela sobrevivesse, pelo menos até ser explodida tentando abrir o baú dos outros. - O ponto é saber com quem você está lidando. Foi muito bom conversar com você, Oz Querubie. Ficarei feliz se um dia eu for seu mentor. - Sorrio, desligando a esteira.

Depois de uma manhã de treinos, já com a academia toda vazia, saio do meu banho e ouço barulhos de socos nos sacos de areia. Coloco um shorts e caminho para o lugar de onde vinha o som. Matias Raposinha-do-mar estava socando o monte de areia com força. Me encosto na parede próxima à ele e fico assistindo o rapaz se matar de arrebentar a própria mão. Ele suava muito e tinha uma expressão típica de carreirista. Ele batia para matar.

O garoto para depois de um tempo e fica me encarando. Dou um sorriso bem largo para ele e sou retribuído com outro, malicioso.

- Tá matando quem, Mateus?

- É Matthew. E você tá fazendo o que aqui?

- Tô te assistindo. Tá divertido, não pare por mim.

Ele respira fundo antes de me responder, como se estivesse juntando forças para falar algo que o estava prendendo. Ele tira o suor da testa com as costas da mão e me encara no fundo dos olhos.  

- Quero me voluntariar esse ano. - Ele diz, direto e objetivo, mas muito infantil. - Estou treinando dobrado para mostrar que sou muito mais capaz que você.

Levo uma das mãos à cabeça e jogo meus dreads para trás. Olho para o chão e então volto meu olhar para o cunhado da minha falecida prima.

- Você ainda é uma criança, Matthew. Não pode se voluntariar esse ano, sabe disso.

Ele soca novamente o saco de areia, irritado. Matthew da as costas para mim e sobe no tatame.

- Vamos lutar. Se eu vencer eu me voluntario esse ano.  

Começo a gargalhar. Não podia ser verdade. O garoto ainda tinha uns 14 anos e tava querendo brigar para morrer mais cedo nos Jogos Vorazes. Caminho para o tatame, tiro o chinelo e entro. Ah, que chato, terei que tomar outro banho.

- Você quer ir lá pra quê? Para vingar seu irmão e mostrar que sua família é foda? Ou é só orgulho mesmo? - Dou um longo suspiro, caminhando na direção do garoto. - Seu irmão era esperto, você só mostra o quão imaturo ainda é com uma atitude dessas. Se seu irmão estivesse aqui...

Matthew morde a isca e parte para cima de mim, bufando de raiva. Agora vinha a melhor parte. O bebezão carreirista do ano tenta me acertar vários socos na cara, sigo me defendendo e rindo. Desvio do último soco e passo uma rasteira em Matthew, que tomba no chão.

- Basta. Isso é besteira. Se quer mesmo vingar seu irmão, pare de ser infantil. Nem tudo é força, nem tudo se resolve na brutalidade. Você não é a única pessoa que perdeu alguém importante, todo mundo perdeu, todos perdem e vai ser assim todos os anos. Ou você aceita isso e tenta ser alguém melhor, ou você tá fadado a morrer dentro de uma arena para alguém que se empenhou muito mais do que você para vencer.

Ele levanta, com lágrimas nos olhos, muito irritado. Matthew passa a mão no olho para secar o choro e sai do tatame.

- Eu não aguento mais essa vida, cara. Meu irmão cuidava da gente. Mataram Connor e Tori na arena. Minha mãe enlouqueceu quando meu pai saiu de casa, hoje mora num hospício e precisa de dinheiro para os remédios. Meu pai só falava com Connor. Até nosso lobo eles mataram. Cloe não é tão feliz quanto antes... Tiraram tudo que é meu e eu não consigo fazer nada à respeito.  

Ele da mais um soco no saco enorme de areia, e então desaba de vez. Sento-me ao lado dele, oferecendo um copo de água.

- Você tem sua irmã e mãe, que precisam que você seja forte. Já parou para pensar o que se passa na cabeça delas? - Ele faz que "não" com à cabeça, olhando para o chão. - Imagina como seria a vida delas se você morresse nos Jogos, Matthew. Elas teriam todas as mesmas perdas que você mais uma. Seja você mesmo. Eu sei que você é esforçado e odeia o Ômega Maisloco, que olha, também matou minha prima. Vai chegar sua vez de ir aos Jogos, mas não esse ano, nem ano que vem. - paro um pouco e penso no que ele havia me falado. Os Seaphox tinha mãe e eu nem sabia. - Lute por elas, faça Cloe feliz, traga sua mãe de volta à sanidade com seu próprio esforço. Vá aos Jogos por uma causa justa, não por algo bobo como uma vingança ou orgulho, sim?

Me coloco de pé e estendo a mão para o chorão. Ele limpa o resto das lágrimas e faz que "sim" com à cabeça, ainda em silêncio.

- Obrigado. - Ele diz, quase inaudível. - Nunca fale sobre isso com ninguém, por favor.

- Não vou, Matias.

- É Matthew! Matthew Seaphox. - Ele diz, caminhando até à porta de saída. Matthew se despede apenas levantando a cabeça, antes de sair o garoto se vira e chama pelo meu nome. - E Damian...

- Sim?

- Eu gostaria de tê-lo como meu mentor.

Pela primeira vez na vida vejo Matthew dar um meio sorriso. Tava começando a achar que o rapaz era banguela porque nunca tirava aquela carranca do rosto. Devolvo um grande sorrisão para ele e o futuro carreirista fecha à porta.


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Matthew Seaphox

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MensagemAssunto: Re: Distrito 04   Seg Fev 27, 2017 4:05 am


MATTHEW SEAPHOX
▬▬▬▬▬▬▬▬▬▬


Acordo com a luz do sol entrando entre as pequenas frestas na janela. Viro meu corpo um pouco mais para encontrar minha irmã e fico passando a mão no seu cabelo - ela adora quando faço isso. O dia de hoje seria diferente para mim, ainda mais depois da última conversa que tive com Damian. Não sei ao certo se ainda tenho vontade de socar a cara dele ou de agradecê-lo por tentar me mostrar um lado da família que Connor não via.

Desde que Tori morreu, fui indiciado por algum idiota que dizia que eu não tinha como sustentar a mim e minha irmã, mesmo com uma reserva de dinheiro que meu pai havia deixado antes de sua morte. Jogo meu cabelo bagunçado para trás, soltando um suspiro de desespero ao sentar. A mãe de Tori pegou nossa guarda e agora teremos que morar com ela até completar 18 anos, ou caso minha mãe melhore da loucura, mas não é um assunto no qual preciso enquadrar no momento.

Sigo para um banho rápido e então acordo Cloe. Ela tinha o cabelo loiro todo bagunçado e coçava os olhos para acordar.

— Xô, preguiça. - Digo e então sorrio para ela.

Com Cloe eu conseguia ser muito mais eu do que com qualquer outra pessoa, talvez porque não houvesse nenhuma parede entre nós. Nossa irmandade sempre foi transparente.

— Parece que alguém acordou animado! - Ela responde, pegando uma troca de roupa para a Colheita.

— Estaria me sentindo muito melhor se pudesse me voluntariar esse ano. - Digo, baixinho o suficiente para Cloe ouvir.

Ela termina de se vestir e me abraça. Com apenas 11 anos de idade, Cloe era mais adulta que muitos maiores de idade. Posso dizer que eu era a razão e ela a emoção. Devolvo o abraço, porque não tinha como lutar contra ela.

— Matt, queria te fazer um pedido.


— Sim?

— Podemos visitar a mamãe essa semana? - Ao olhar Cloe nos olhos, consigo perceber quanto é nítido a falta que mamãe fazia na vida dela, uma falta que a mãe de Tori não supriria, por mais atenciosa que fosse.

— Vou analisar as opções, está bem? Preciso ver se ela tem tomado os remédios direitinho antes de mais nada.

Cloe concorda com à cabeça e segue para o café da manhã. Me sinto mal por não dizer um "sim" de imediata, mas é impossível leva-la para encontrar com mamãe na situação em que tudo estava. Quando contei sobre Connor ela teve um ataque de pânico e não parava de gritar o nome do meu pai. A merda maior é saber que nosso Distrito não tem remédios bons suficientes para cuidar do que ela tinha, nem mesmo eu sabia ao certo qual era o diagnóstico pois ninguém conseguia fazer algum útil.

Desço para o café e dou bom dia aos pais de Tori. Ter que vê-los com a mesma cara triste todo dia por causa da morte da filha só fazia meu dia pior. Além de gerar ainda mais ódio pelo maldito Vitorioso traidor metido à sério do Distrito 6, ainda sentia uma pontada de irritação por Tori e Connor por terem sido tão estúpidos.

Balanço minha cabeça em negativa e como o peixe frito que dona Martínia nos preparou. Em seguida, a família Miller segue em direção à Colheita, como moramos próximos ao centro, Cloe e eu seguimos com eles também.

Coloco meu nome na colheita apenas uma vez, já que não era necessário pegar mais comida com a fartura que tínhamos em casa. Cloe e eu nos separamos, mas fica nítido seu olhar para mim. "Não se voluntarie", ela dizia.

Vejo a acompanhante da Capital fazer um breve discurso e então sem mais delongas o sorteio dos próximos sortudos esse ano. Me sinto mal pela garota que foi escolhida, porquê com tantos rapazes loucos para ir aos jogos, temos as garotas que não tem maturidade suficiente para ir até lá. Se eu pudesse, iria no lugar dela sem problema algum.
Quando o nome do tributo masculino é sorteado, todos sentimos uma leve tensão na plateia. Damian não tinha se voluntariado ainda. Será que ele perdeu a hora? Será que é tão covarde a ponto de desistir de tudo?

Sinto meu braço se movendo involuntariamente para cima, mas antes que eu pudesse tomar qualquer ação, ouço a voz de Damian mais à frente:

- Eu me voluntario!

Suspiro irritado. Realmente esse não seria meu ano.


I keep dragging around what's bringing me down
If I just let go, I'd be set free
Why is everything so heavy?

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