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 Distrito 11

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Alastor Romanov
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Localização : Capital

MensagemAssunto: Distrito 11   Sab Jan 09, 2016 10:16 am



DISTRITO 11


"A industria do Distrito 11 é a agricultura - pomares, campos de trigo, e algodão cercam o distrito. Quase tudo o que é produzido vai para a Capital."


Antecipando os dias da Colheita, o ambiente no Distrito 11 estava bastante tenso. Haviam menos gente na rua, as pessoas falavam menos e pareciam nervosas. Porém, o trabalho continuava.

ATENÇÃO: Utilize este tópico para interagir dentro do seu Distrito (sozinho ou com o seu companheiro de Distrito). Pode falar de tudo, desde do que está fazendo até ao que está sentindo. Aproveite para desenvolver a história do seu personagem. A postagem não é obrigatória, mas apenas a faça se tiver a certeza que não mudará o distrito e ocupação do seu personagem depois. E lembre-se: O seu personagem ainda não foi escolhido na Colheita.

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Sherry Snookie

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Localização : Distrito 11
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MensagemAssunto: Re: Distrito 11   Qui Fev 18, 2016 9:16 pm


Sherry Snookie

Aperto firme o cabo da faca que levo escondida em minhas vestes a medida em que me aproximo do arco de entrada da Aldeia dos Vitoriosos. Tudo parece tranquilo aqui. Ninguém voltando de um turno árduo de trabalho, nem nenhuma criança chorando desesperada por conta da fome torturante. O silêncio e o luxo chega a ser nauseante, mas o pior é o ódio que eu sinto neste momento.

Ao chegar no meio da aldeia, observo atentamente os seis pares de casas dispostas uma em frente da outra, sendo seis de um lado e seis do outro. Claramente, consigo identificar duas casas ocupadas, mas isso não me ajuda muito. Preciso encontrar a casa certa.

— Senhora! Com licença! - corro até uma mulher de meia idade que acabou de fechar a porta de uma das casas e está se encaminhando agora em direção a saída da aldeia - Sabe onde posso encontrar Gabriel?

Ela me analisa de cima a baixo, parecendo bastante desconfiada, e apenas aponta com a cabeça para a outra casa. Enquanto ela se afasta rapidamente, ando em direção à porta da casa. Bato furiosamente na porta e já deixo a lâmina preparada. Assim que a porta se abre, voo no rapaz e posiciono a faca em seu pescoço.

— Escuta aqui, seu desgraçado! Se você não me der AGORA o antídoto do veneno que deram para o meu pai, VENENO QUE SAIU DO SEU ARSENALZINHO, você vai morrer aqui e agora!

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Gabriel Kavan

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MensagemAssunto: Re: Distrito 11   Sex Fev 19, 2016 12:05 am



Gabriel Kavan

Surpreendo-me por acordar cedo essa manhã. Provavelmente ainda estou com o fuso horário da Capital preso no hábito, mais o facto de quase obrigatoriamente ter de acordar cedo lá para monitorizar os mentoreados. Não que o tivesse feito por muito tempo, tanto que já estou em casa apenas um dia após o começo.

Sylvaine ainda não ganhara forças para regressar ao Orfanato, mas dei-lhe um dos quartos vazios para não ter que estar a dormir no sofá da sala. Apesar de no Orfanato chegarmos a ter os nossos próprios quartos, era bem comum tanto Sylvaine como Vince acabarem a noite dormindo no meu, fosse depois de longas noites conversando ou depois de regressarmos ao Orfanato bem tarde depois dos nossos passeios - pelo que estou habituado à sua presença. Ao facto de ter acordado primeiro que ela, é que já não.

Atravesso a porta traseira e dou uma volta pelas plantações, já um hábito matinal meu. O sol forte atravessava as várias janelas, abafando o ar juntamente com a humidade que eu precisava manter para certas espécies. Quando volto para junto da porta, pego no regador para começar a ajustar a humidade na terra de algumas plantas, mas o batuque na porta da entrada me faz pousá-lo logo de seguida. Quem raios seria a esta hora...?

Quem me passa primeiro pela cabeça é Aloe, já que Vince não estaria acordado a esta hora a não ser que algo de muito interessante se estivesse a passar nos Jogos Vorazes - o que nesse caso, ele nem dormiria em primeiro lugar - apesar daquele batuque impaciente ser bem típico dele. Também não sei que raio quereria Aloe de mim agora, muito menos com tanta impaciência... Sem pensar muito, abro logo a porta, só para ver alguém se mandando em direção a mim a toda a velocidade. Só tenho tempo de recuar instintivamente alguns passos, mas a pessoa - que agora consigo ver claramente se tratar de uma mulher, e definitivamente não a Aloe - já tinha uma faca colada ao meu pescoço.

— Escuta aqui, seu desgraçado! Se você não me der AGORA o antídoto do veneno que deram para o meu pai, VENENO QUE SAIU DO SEU ARSENALZINHO, você vai morrer aqui e agora!

Arqueio as sobrancelhas, não deixando transparecer algum receio. Estou habituado a este tipo de atitudes e ameaças, e a lidar com este tipo de pessoas - afinal, toda a minha vida trabalhei com criminosos. Este tipo de atitudes servem sempre para meter algum medo para levarem a melhor, mas a necessidade deles pelos meus serviços, principalmente quando se tratam de antídotos - não lhes permitem fazer nada a fim ao cabo. Não que eu não tenha sempre um pequeno truque na manga para esses casos, por precaução.

— Morro eu, morre você - dou um toquezinho leve no lado da sua perna com a lâmina fria da faca que discretamente saquei do bolso inferior das minhas calças, posicionando-a na artéria femoral da garota - morre o seu paizinho envenenado e provavelmente morre a sua família inteira após a Capital descobrir que foste responsável pela morte de um dos seus queridos Vitoriosos. - mostro-lhe uma expressão despreocupada, como se o assunto não me afetasse. - Pois é. Se realmente precisa da minha ajuda, esta não é a maneira recomendada de o pedir. Se fosse começar por se afastar e descrever os sintomas para eu saber ao certo com o que estou a lidar, a hipótese de salvar o seu pai seria bem maior. Não é que já seja grande...

A última vez que vendi um veneno foi já há alguns meses, e nem que quisesse ia conseguir vender um com Sylvaine aqui. Não que não fosse normal o pessoal comprar a "arma" um tempo bem antes do crime, para terem a certeza que tudo corre como planeado - isto falando da clientela minimamente inteligente, porque a maioria não pensa nem nisso nem em nada - mas o que é incomum aqui é o facto de ter sido usado um tipo de veneno de ação lenta, para a garota ter tido a chance sequer de abandonar o pai para vir aqui. Não me lembro sequer da última vez que vendi um desses...


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Sherry Snookie

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MensagemAssunto: Re: Distrito 11   Sex Fev 19, 2016 2:20 am


Sherry Snookie

Encaramos um ao outro por alguns segundos, enquanto todos os cenários se passam por minha cabeça. O sentimento de impotência e o ódio que estou sentindo neste momento se misturam e começam a extravasar do meu corpo em forma de lágrimas. Tento contê-las, mas sinto algumas descendo por meu rosto. Meu pai é minha vida, e sem ele eu não sou ninguém. Não há ninguém mais para dar sentido a minha vida.  

A faca cai no chão, fazendo o barulho da queda ecoar pela enorme casa. Minhas pernas fraquejam e eu caio de joelhos no chão, sentindo toda a esperança deixar o meu ser. Meu pai está morrendo e eu não tenho como salvá-lo. Seria melhor que eu matasse esse rapaz agora e ele me levasse junto.

— Me mate... - agarro suas roupas com as duas mãos - Eu estou morta por dentro... - minha voz falha e agora sinto as lágrimas caírem com mais intensidade em meu rosto - Você já tirou a vida de muitos. Por favor. Acabe com a minha dor.

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Gabriel Kavan

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MensagemAssunto: Re: Distrito 11   Sex Fev 19, 2016 1:29 pm



Gabriel Kavan

Que mudança repentina de atitude, hein. Até diria não estar à espera não fosse tão comum eles acabarem por cair na real. A garota deixa cair a faca, que com o barulho que faz ao bater no chão frio da casa só espero não ter acordado Sylvaine - a última coisa que precisava agora era de ainda mais confusão e drama. Isto porque a jovem agora se agarrava às minhas roupas, suplicando para que eu terminasse com a vida dela.

Inclino a cabeça, confuso, mas não largo a faca da minha frente. Não sei o que esta garota realmente quer de mim, se isto é só mais um truque no espetáculo pessoal dela ou se a realidade lhe caiu forte demais.

— Deixa-te disso - falo, num tom descontraído - Eu apenas crio plantas, quem as compra faz o que quiser com elas. Não mato ninguém diretamente, muito menos por piedade. - a não ser que ela estivesse a referir os Tributos que matei no Massacre, o que definitivamente não foi por piedade, mas enfim- nada que queira recordar neste momento. - O máximo que poderia fazer seria vender-te alguma coisa, mas já não faço esses serviços a não ser por um motivo muito bom. Se realmente quiseres ter alguma hipótese de salvar o teu pai, vou-te dizer novamente para te afastares e me descreveres os sintomas, caso contrário - arqueio as sobrancelhas, encolhendo os ombros - posso-te vender umas quantas rosas para o funeral.


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Sherry Snookie

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MensagemAssunto: Re: Distrito 11   Dom Fev 21, 2016 2:59 pm


Sherry Snookie

— Eu-Eu não tenho dinheiro algum. - enterro minhas mãos em meus cabelos e sinto meu corpo balançar para frente e para trás involuntariamente - Ele está sentindo muitas dores na barriga e reclama que seu corpo inteiro queima.

O que eu poderia fazer neste momento para comprar o remédio necessário para salvar meu pai? Não temos nada. E o que eu poderia oferecer para um vitorioso que já tem tudo o que pode imaginar ter? Eu não sou especial quanto ele é.

— Ele está morrendo lentamente. Sofrendo muito. Por favor... Eu faço qualquer coisa...

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Gabriel Kavan

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MensagemAssunto: Re: Distrito 11   Dom Fev 21, 2016 5:18 pm



Gabriel Kavan

Observo a garota de cima a baixo, pensando nos sintomas que ela acabara de descrever. Bem me parecia que tinha de ser o caso, há anos que eu não havia vendido veneno algum de ação lenta...

Dou a volta à garota, ficando eu agora do lado da porta da entrada.
— Por enquanto preciso é que faças pouco barulho. Anda. - Aponto a faca para a frente, fazendo-a caminhar em direção à estufa nas traseiras. Indico-lhe com a cabeça para abrir a porta, esperando que a jovem cumpra a minha ordem para não acordar Sylvaine.

Fecho a porta novamente atrás de mim. — Tenta roubar alguma coisa e ficas sem mãos e sem remédio, - advirto, virando a atenção para os vários frascos que já tenho preparados em cima da mesa na entrada da estufa. - Podes começar por me explicar o que te faz achar que o que colocou o teu pai nesse estado veio daqui.

Volto a colocar a faca no bolso do lado oposto ao da jovem. Rodopio vários dos frascos sobre a mesa, para confirmar os rótulos indicando a sua composição, olhando para a garota pelo canto do olho com frequência. Quando retiro um da mesa, volto a virar-me de frente para ela.

— O que deram - ou melhor, estão dando ao teu pai é arsénico. Caso não saibas, é um elemento encontrado em pesticidas e insecticidas, e como tal, não vem daqui. Só por isso já me deves um pedido de desculpas... - direciono os olhos para cima, com cara de caso. - Bem. Se a pessoa que lhe está a dar isto quisesse ele já morto, podia muito bem tê-lo feito logo de início ao dar-lhe uma dose maior. Mas os sintomas que me descreveste indicam que lhe estão a administrar o veneno em pequenas doses. Portanto, se conseguires pensar em alguém que por algum motivo queira o teu pai morto e trabalhe em plantações com acesso a insecticidas... o normal é administrarem este tipo de veneno por via oral, portanto teria que ser alguém com acesso frequente à comida ou bebida dele também.

Baixo-me para abrir uma das gavetas por baixo da mesa, de onde retiro uma das várias seringas que fui roubando do Orfanato ao longo dos anos. Passo um pouco do conteúdo do frasco para dentro desta, voltando a fechar o frasco e a colocá-lo no sítio certo.

— Quando ao remédio... duvido que encontres um antídoto derradeiro em qualquer sítio que não na Capital. Porém, já vi várias pessoas sobrevivendo a esse tipo de envenenamento com isto que te vou dar. Tecnicamente só pára os sintomas, não elimina o arsénico do corpo, mas às vezes é o suficiente para impedir a insuficiência cardíaca que normalmente ocorre graças a esse veneno. É uma questão de ser ou ainda não ser demasiado tarde, mas tens de assegurar que o teu pai não recebe nem mais uma dose de arsénico. - entrego-lhe a seringa para as mãos, voltando agora a segurar a faca nesta - Tens de aplicar isso diretamente no músculo, e provavelmente terás de regressar cá para mais doses se vires que os sintomas não melhoram. Se entretanto aparecerem sintomas novos, como queda de cabelo, vómitos ou perda de visão... aí receio que seja já tarde demais. - Encolho os ombros, abrindo passagem para a jovem voltar a abrir a porta à minha frente.

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Sherry Snookie

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MensagemAssunto: Re: Distrito 11   Qua Fev 24, 2016 3:51 am


Sherry Snookie

Sigo pelo caminho que Gabriel me indica, mas minha mente está tão confusa que faço tudo no automático. Entro no local que ele guarda as plantas, ainda com a cabeça presa em outro mundo, até que a voz do rapaz me faz retornar à sala.

— Você é o único que faz essas coisas, agora. Há pacificadores por todos os lados, depois que você venceu no ano retrasado. Ninguém quer se arriscar.

Olho ao redor e me perco novamente em meus pensamentos, mas desta vez permaneço dentro deste recinto. Quanto conhecimento esse rapaz tem dessas plantas, e nem chegou a utilizar isso em seu favor para sair vivo daquela arena. Ele mexe em várias gavetas e objetos que desconheço, enquanto me explica o que está acontecendo com meu pai. Minha esperança é alimentada pelo momento em que ele demonstra saber o que está acontecendo, mas logo some quando escuto que não há antídoto para isto aqui no 11. Pego um objeto com o tal remédio, mas não sei exatamente o que é isso. Gabriel diz para que eu aplique diretamente no músculo do meu pai, mas eu não sei fazer isso.

— Eu não posso te pagar agora. Mas eu te pagarei. Obrigada.

Corro porta a fora antes que ele desista de me dar o remédio. Antes de passar pelo portal da Aldeia dos Vitoriosos, lembro-me deste mesmo objeto sendo usado por uma carreirista no Massacre. Acho que tenho uma esperança a mais para meu pai aqui na minha mão.

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Gabriel Kavan

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MensagemAssunto: Re: Distrito 11   Qui Fev 25, 2016 1:26 pm



Gabriel Kavan

— Eu não posso te pagar agora. Mas eu te pagarei. Obrigada.

Com isto, a garota corre porta fora sem perder mais tempo. Depois de a acompanhar por um momento com os olhos pela janela, encolho os ombros e dou meia volta sob o piso para me voltar novamente para a entrada da estufa, só para ver uma Sylvaine meio sonolenta encostada por baixo da aduela que dava entrada ao corredor do quarto onde ela estava a ficar. De braços cruzados, ela me recebe com aquele sorriso no canto do lábio típico dela, apesar de não coincidir com os seus olhos ainda semicerrados com o sono.

— Estavas acordada - concluo, achando coincidência demais ela só se levantar quando a outra garota se tinha ido embora.

— Estava pois - ela confirma, desecostando-se da parede para se dirigir à mesa na entrada, arrastando o roupão pelo chão. Persigo-a com os olhos, esperando uma explicação que sei que vai chegar mais cedo ou mais tarde. - Simplesmente não estava com vontade de interromper a conversa, se é isso que queres saber. - Sylvaine acaba por acrescentar, com a pura provocação que demonstra no seu olhar ao virar-se novamente para mim depois de pegar num dos pães em cima da mesa.

— Uhum. Tu a não quereres-te meter em conversas. Essa é nova. - Sento-me na cadeira ao lado oposto do dela, debruçando-me sobre esta com um sorriso trocista. - Conta-me mais sobre esse teu novo modo de vida.

Ela ri.
— Na verdade, eu só estava a querer ver como reagias a uma situação como a que aquela garota colocou em cima de ti. Sabes, sem os meus olhos julgadores a te pressionarem.

Sylvaine nunca apoiou de modo algum o que eu fazia. Apreciava o dinheiro extra que eu ganhava para nós os três com isso, mas acho que o facto de ter de aceitar ser muito mais fácil ganhar dinheiro com crimes e mortes no Onze que de forma legal e honesta a incomodava bastante. Quando eu comecei a investir em antídotos também, nunca foi com o intuito de ajudar pessoas vítimas dos meus próprios produtos e muito menos vítimas do trabalho de outros, mas sim porque acidentes de envenenamento após cidadãos comuns terem ingerido alguma coisa que não deviam depois de a terem roubado nas plantações - mais uma vez, o negócio não deixava de estar ligado ao crime - eram cada vez mais frequentes, porque o pessoal não sabe que lá por algumas partes da planta ou alimento serem comestíveis, não significa que esta o seja por inteiro. Agora quando o cenário se tratava de ter de limpar o trabalho sujo dos outros, quando depois as consequências iriam cair obviamente em mim, eu sempre recusava.

Agora que nem o dinheiro nos faz falta, Sylvaine ainda me enche mais a cabeça com isto, mesmo que eu já quase nunca o faça. Não que ela não tenha razão - e agora, depois de ter passado pelo Massacre, a minha visão sobre a Morte é completamente diferente - mas há hábitos com raízes tão dentro de nós que fica impossível de as cortar.

— Pssht. Falas como se eu não tivesse coração. Ou pior... como se a tua opinião me fosse influenciar em alguma coisa. - riaposto, obviamente apenas me metendo com ela. Retiro uma uva de um dos cachos na cesta da mesa e atiro-a para a minha boca, engolindo-a de uma vez.  

— Por favor! - Ela interrompe logo, fingindo indignação - se não houvesse alguém com um mínimo de decência e razão no meio de ti e Vince, queria ver como vocês dois estariam agora.

Não consigo evitar rir, apesar de ele ter, vá, um pouquinho de razão. Ela acaba por rir também, mas depois pergunta-me o que eu havia dado para a garota que tinha aparecido cá.

— Lembraste do Joe do orfanato? - ela acena em confirmação, perguntando se era o rapaz que tinha consumido veneno de rato uma vez - Esse mesmo. Dei o mesmo que dei a ele na altura à garota, pelo que ela me descreveu parece que alguém está a envenenar o pai dela com arsénico aos poucos e poucos. A diferença é que a quantidade que Joe consumiu foi mínima, até para alguém do seu tamanho, enquanto que o pai da garota já está monstrando sintomas bem mais avançados. E ela pensava que tinha sido eu o culpado!

— Não tens propriamente a melhor fama quando o assunto é envenenamentos, né. - Ela ri por entre os dentes, mas logo retorna à seriedade.  - Mas achas que ele tem alguma chance?

— Sinceramente não sei. Consegui a receita para esse antídoto à muitos anos com uma velhota curandeira que vivia perto da zona onde eu vendia bastante. Várias vezes lhe levei lá plantas medicinais, e ela na altura me disse que envenenamentos por arsénico eram relativamente comuns, e que ela já tinha parado sintomas avançados várias vezes com essa receita, apesar de cá não haver uma cura concreta que necessitaria ser criada em laboratório. Se eu já o vi a acontecer com os meus próprios olhos, para além do caso menos grave de Joe, não. Mas vamos ver... ela ficou de regressar cá.


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Sylvaine Rois

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MensagemAssunto: Re: Distrito 11   Dom Mar 13, 2016 5:32 pm


Sylvaine Rois

Barro um pouco da manteiga no pão, debruçada sobre a mesa perto da entrada da casa. Surpreendo-me por Gabriel não estar em casa - para alguém que sempre acordava super tarde no orfanato, parece que os dias acordando cedo na Capital lhe fizeram bem. Ou isso, ou ele nem regressou a casa depois de ter saído ontem à noite, quando foi entregar plantas medicinais àquela velhota curandeira. É, essa opção me parece bem mais provável...

— Ai, Gabriel... Há coisas que nunca mudam, mesmo. - Tal como Vince me avisara. Mordisco um pedaço do pão, me recostando melhor na cadeira. Mas em Gabriel, isso parecia se aplicar a praticamente tudo. Era comum ele desaparecer por uma noite ou mesmo um par de dias. Houve várias vezes em que eu e Vince o acompanhámos, normalmente quando ele queria ir fazer uma tatuagem, piercing ou simplesmente desanuviar um pouco dos ares do orfanato. Mas havia outras em que ele insistia que não. As vezes relacionadas com a parte negra do seu negócio, sempre supus. Era uma teoria mais credível que a que Vince espalhava no Orfanato quando perguntavam por Gabriel, que basicamente consistia em ele ser um lobisomem ou algo do género.

Tanto a zona do mercado negro como os bairros mais problemáticos onde Gabriel normalmente se encontrava com clientes não eram sítios estranhos para mim e Vince. Afinal, todos nós vivemos um pouco enquanto outsiders, a partir do momento em que nos tornamos nos dos poucos mais velhos ainda vivendo no Orfanato. Tentamos sobreviver por nossa conta várias vezes, e das maneiras possíveis. Mas quando o assunto era assistir aos espetáculos, como Gabriel lhes chamava, causado pelos venenos de dele, ele já sabia bem que comigo não valia a pena contar. Até mesmo Vince, com a sua estranha paixão pelos Jogos Vorazes, não era o maior fã. Era completamente desnecessário... Ele podia simplesmente ter vendido o veneno sem insistir estar presente na ocasião, mas não. Ele uma vez me contou que era apenas para estudar melhor os efeitos consequentes de cada veneno, mas Vince opinou comigo que achava ser mais a forma de Gabriel deixar a sua marca e que ele podia ter gosto em saber que a vítima conheceria o autor do que levou à sua morte antes de esta mesmo acontecer - e neste caso, levando em conta o quanto Vince era bom em entender pessoas... Eu acreditava mais na palavra dele, apesar de fingir fazer o contrário para me sentir melhor com o assunto.

Levanto-me da cadeira para ir encher o meu copo novamente com sumo, mas acabo por me aproximar da janela em vez disso. Encaro as outras casas lá fora por um momento em que não consigo pensar em nada. Viver aqui é tão estranho... mais cedo ou mais tarde terei que regressar para o Orfanato. Nem que obrigue Gabriel a ir lá comigo primeiro para ver como estavam as coisas. Com certeza Vince ficará feliz com a oportunidade de lhe perguntar mil e uma coisas sobre os mentoreados deste ano.

Volto a sentar-me à mesa, tentando recordar o que me havia feito levantar em primeiro lugar. Ah! O sumo. Certo. Pensando melhor, já não estou com tanta vontade de tomar mais alguma coisa mesmo. Não com a sensação de desconforto que tomou conta de mim ao recordar-me que terei de voltar ao Orfanato mais cedo ou mais tarde.

É poucos minutos após me ter instalado no sofá que ouço alguém bater na porta. Seria Gabriel? Não, ele tem a chave de casa.

Levanto-me e aproximo-me da porta, verificando primeiro quem era. E é o idiota do Gabriel mesmo, preguiçoso o suficiente para não se dar ao trabalho de retirar a chave do bolso. Preparando-me para revirar os olhos, abro-lhe a porta, para receber um "bom dia" extremamente animado e inesperado.

Dou uns passos atrás para ele entrar, mas o garoto não se mexe. Reparo que ele levava uma das mãos atrás das costas, a que não estava danificada. Será que lhe aconteceu alguma coisa e por isso que ele não abriu a porta...?

— Gabriel. O que se passa...? - pergunto, parecendo mais desconfiada que preocupada.

Ele olha para mim com aquele sorriso bobo por um segundo antes de dizer alguma coisa, como se estivesse me estudando ou algo do género.

— Apresento-te... o Mr. Whiskers II! - é neste momento que ele revela a sua outra mão, segurando uma bola de pelo negro tão pequenina que não precisava de nada mais que a mão de Gabriel para ser carregado confortavelmente.

— Oh meu deus! Gabriel, estás maluco!? - exclamo, mas já estava segurando no pequeno animal com as minhas próprias mãos, acariciando o pouco pelo dele. - Como é que isto aconteceu!?

O rapaz entra dentro de casa e pendura o casaco na porta.
— Encontrei-o perdido num beco lá na zona, e não pude deixar de me lembrar do trágico fim do Mr. Whiskers... e aqui estamos. - ele encolhe os ombros, dirigindo-se à cozinha.

Poucos minutos depois ele regressa, sentando-se no sofá ao meu lado com uma bandeja levando dois copos com sumo de laranja. Ele entrega um para mim, retira o outro para si e coloca a bandeja no chão, recostando-se no sofá.

— Tu és maluco, Gabriel. - limito-me a comentar, não conseguindo tirar os olhos da pequena criatura.  - É bom que mantenhas as portas da tua querida estufa bem fechadas desta vez. - Era suposto eu levar o animal comigo quando regressasse para o Orfanato? Não tenho a certeza do que Morette pensaria disso. Ou ele trouxe o animal para ele mesmo? Não faço ideia, mas decido não me preocupar com isso agora.  - Ele deve ter fome, não?

Gabriel apenas murmura um "provavelmente" com a boca ainda cheia de pão, pelo que levanto e me dirijo à cozinha para descobrir por mim própria. Não que possa dizer que fico surpreendida ao ver o pequeno animal devorar um pedaço de frango que sobrara do jantar de ontem.

Depois de lhe oferecer um prato como deve ser cheio de frango e outro com água, deixo o pequeno animal se alimentar e regresso para perto de Gabriel. Ele aparentemente já havia terminado de comer e agora andava da estufa para casa e da casa para a estufa trocando diversos vasos de um sítio para o outro.

- Pronto - ele pousa o último vaso em cima da mesa, sacudindo pedaços de terra das mãos. - Casa oficialmente Mr.Whiskers-safe. A partir de agora, se lhe acontecer alguma coisa, já não me podes culpar a mim. - Ele levanta o olhar, relevando um sorriso torto e provocante.
Acho que isso acaba de tirar as minhas duvidas sobre a quem pertencerá o gato...

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Gabriel Kavan

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MensagemAssunto: Re: Distrito 11   Qua Mar 30, 2016 10:37 pm



Gabriel Kavan
There we were, thick as thieves
Frightened by shadows and the autumn leaves
We wore stolen hats, fitted soles
Aided by lies amongst the media foes


— Olha, Sylvaine. Isto é uma fruta akee.  

Pouso o fruto alaranjado em cima da mesa da cozinha, onde a garota bebia um chá quente. Saco uma das facas na bancada da cozinha e, utilizando a minha mão direita para apoio na fruta e a esquerda a segurar a faca, deslizo a lâmina de forma a cortá-la ao meio. Dois anos após ter perdido a mobilidade na mão direita, já uso a esquerda com quase a mesma precisão, e a direita já nada me dói mesmo ao utilizar o pulso para movê-la frequentemente.

Deixo as duas metades em frente de Sylvaine e mostro-lhe como se retira a arila que envolve a semente.

— Apenas esta parte - seguro as duas arilas na mão para lhe mostrar, antes de me virar de costas para ela para ferver o fruto em água - é comestível, e o melhor...

Deixo cair as arilas na água a ferver, voltando-me agora para Sylvaine de braços cruzados.
— ...é que até mesmo as arilas só são comestíveis se o fruto for colhido precisamente num momento muito específico.  

Sylvaine me lança aquele olhar fora do sério, que só me faz gargalhar na cara dela. Quando o alarme assinala o fim dos cinco minutos, retiro as duas arilas da água e sirvo-as num prato para cada um.

— Não é que a fruta chegue a ser fatal, ao menos não na maioria dos casos... -  continuo, não esperando que Sylvaine vá ter a iniciativa de começar a comer primeiro que eu depois do que lhe estou a dizer - maaas pode ser uma vingança engraçada, discreta e não totalmente mortífera, imagina, para alguém que esteja habituado a comer isto em tua casa sem achar que possa ter problema algum se preparado ou colhido de uma forma errada. Chateias-te com ele por alguma razão e queres-lhe oferecer um presente de falsas tréguas... nada mais ideal que umas quantas destas frutas peculiares e deliciosas.  

— Gabriel. Tira-me isso da mesa. - Ela responde, interrompendo, referindo-se ao resto da fruta que ainda não havia descartado. - A sério! - no momento em que ela completa, o pequeno Mr. Whiskers II salta para cima da mesa, o que faz a garota se levantar de imediato para o tirar de ali.

— Tem calma, mulher. O Mr. Whiskers II não é estúpido como o primeiro. O outro só decidiu comer do meu jardim porque estava mal alimentado por ti. - era mentira, mas ela sabia que eu estava apenas a provocá-la. Revirando os olhos para mim, ela solta o animal no corredor que dá para os quartos e fecha a porta, voltando-se a sentar na mesa.

— Que engraçadinho, - ela limita-se a comentar.

— Bem, como eu estava a dizer - o teu falso/ex amigo sofrerá com vómitos e dores de barriga por um bom bocado, e não terá como realmente te culpar. É claro que há sempre aquela pequeeena probabilidade de reagir pior e o não-tão-pobre coitado entrar em coma e provavelmente morrer, mas aí podes sempre pensar que foi um tipo de julgamento de ordálio e que o desgraçado merecia. -  encolho os ombros de olhos no prato, terminando de comer.

— Lembra-me de nunca me chatear contigo - ela brinca, finalmente convencida para provar o alimento.


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Sylvaine Rois

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MensagemAssunto: Re: Distrito 11   Qua Mar 30, 2016 11:54 pm


Sylvaine Rois
And hey oh, where did it go?
When did we lose our sight?
And it's a nice show, the ones we perform
Performing it day and night

— Lembra-me de nunca me chatear contigo, - brinco, apesar dessa conversa não me ter dado a mínima vontade de provar a "iguaria". Faço-o mesmo assim, porque é simplesmente assim que Gabriel é. Tinha um gosto um pouco parecido com o de frutos secos, coisa que só tive oportunidade de experimentar quando Gabriel fora coroado Vitorioso e houve toda aquela festa no Distrito por cortesia da Capital. Provavelmente também os provei quando foi com Aloe, mas nesse dia eu provei tanta coisa nova e foi há tanto tempo que já pouco me recordo dos sabores ou mesmo do que comi.

— Agora já sabes o truque, não teria a mesma piada. - ele comenta como se fosse a coisa mais normal do mundo, dando um gole na água logo após.

Limito-me a dar um estalido com a língua em resposta, abanando a cabeça negativamente enquanto termino o meu chá. Apesar de não concordar com o uso que Gabriel dá ou dava às suas plantas, estas não deixavam de ser a paixão dele, e não me importava nada de o ouvir falar sobre elas. Ele mencionar os julgamentos de ordálio é que me havia deixado mais incomodada com recordações que preferia esquecer.

Utilizar venenos para julgar uma pessoa pelos seus actos é uma prática bastante antiga, mas dentro dos grupos mais problemáticos do Onze tratava-se mais de um jogo que de outra coisa. A ideia é simples - a pessoa em questão a ser julgada ingere a semente ou outra parte de alguma planta tóxica, se sobreviver é porque está inocente, caso contrário é culpada e merece o destino inevitável que acaba por ter. Não é um método tão comum para julgar pessoas dentro dos bandos e gangues, apesar de Gabriel me ter contado já ter vendido algumas sementes para esses fins, mas a maioria eram para sistemas de apostas e outros jogos menos honestos. E houve uma altura da nossa vida em que Gabriel fazia muita parte disso.

Ele ficou a saber desses jogos por conta de Vince, que achou que a ideia lhe podia interessar e trazer mais uns trocos ou itens que dessem jeito para os nossos bolsos. Basicamente, duas ou mais pessoas são "julgadas" pelo mesmo sistema, mas a ideia não é saber se as pessoas estão culpadas ou inocentes - mas sim apostar em qual iria sobreviver ao envenenamento.

*

— Não te preocupes, eu tenho tudo sob controlo - ele susurra para mim, antes de se apresentar à fente do pequeno público juntamente com o seu "adversário" - um homem alto e bem constituído, ao comparar com a maioria das pessoas mal alimentadas do Onze. Gabriel parecia um gatinho ao lado dele. O chamado juiz mostra uma semente grande ao público, que antes de entregar para os concorrentes, faz um cachorro vira-lata comer primeiro para todos o observarem morrendo para terem a certeza que não estavam a ser enganados. Depois de comprovada a legitimidade do veneno, eles entregam uma semente igual a cada um dos concorrentes.  É a apertar o braço de Vince, que tenta de todo me manter calma, que tento observar a cena em que Gabriel engole a semente de uma vez apenas para a vomitar poucos momentos após, altura na qual o outro homem já se estava engasgando no próprio ar e eu consigo finalmente respirar um pouco do mesmo novamente.

*


Com a experiência que Gabriel tinha com esse tipo de plantas, ele sempre conseguia reconhecer o veneno usado e sabia exatamente o que fazer para conseguir vomitar a semente antes que esta tivesse algum efeito no seu corpo. Mas não deixava de haver a possibilidade de aquilo correr mal, afinal ele estava a brincar com a própria vida. Se ele fizesse ideia da preocupação que aquilo me causava... felizmente, com a fama que ele foi ganhando ao vender venenos, poucos eram os sítios onde seria seguro ele participar nessas apostas sem toparem o plano dele, e como tal a ideia foi morrendo.

— Pergunto-me se aquele antídoto fez algum efeito no pai daquela garota. Nem me lembro do nome dela, se é que ela mo chegou a dizer. - Ouço Gabriel comentar, mas demoro para regressar à Terra. - Sabes que mais, se calhar devíamos ir visitar o Vince. Ele deve estar preocupado contigo. - Ele vira a cabeça para mim desde o balcão da cozinha, onde estava arrumando os pratos.

— É... se calhar já está na hora disso mesmo. - comento, num tom baixo. Não estava com vontade nenhuma de voltar já ao Orfanato, mas Gabriel tinha razão acerca de Vince. Não que ele fosse largar os olhos do ecrã para se dar ao luxo de vir até aqui de qualquer forma...


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Gabriel Kavan

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MensagemAssunto: Re: Distrito 11   Qui Dez 29, 2016 2:30 pm



Gabriel Kavan

- Eeee parece que temos o nosso Vitorioso da 27th Edição dos Jogos Vorazes! - Vince se levanta abruptamente do sofá, levantando seus braços em sinal de vitória. - Mais um Vitorioso para o leque de vitórias do Distrito 2, que continua mantendo seu título enquanto Distrito com mais vitórias.

Vince parecia querer que eu me levantasse para me juntar à sua celebração, mas recebe apenas um bocejo de minha parte.

- Ótimo, já podemos ir dormir? - falo, em tom de brincadeira, apesar do meu visível cansaço. Mesmo não sentindo o mesmo entusiasmo que Vince assistindo os Jogos, desde que fui coroado Vitorioso e consequentemente mentor, que me sinto obrigado a os assistir com a maior atenção possível, de forma a poder ajudar meus mentoreados no futuro da melhor forma. Sylvaine, pelo contrário, já há algumas horas que dormitava entre mim e Vince, mais em cima de nós que propriamente no sofá. Porém, o entusiasmo de Vince parecia tê-la acordado.

- Quem ganhou? - Ela murmura, por entre um bocejo, esperguiçando-se de forma a quase me dar um murro na cara, apenas para se rir depois.

- Brian Alderidge, Distrito Dois. - Vince responde, em tom orgulhoso.

- Parece que acertaste mais uma vez, hein? - Ela comenta em voz baixa, como se se preparasse para adormecer novamente em qualquer momento. Vince deixa escapar um riso.

- Tu sabes que eu não gosto de apostar em Carreiristas, apesar de ser a escolha mais óbvia. Mas esse ano não houve muitas dúvidas, mesmo com alguns Underdogs esconderem um truque ou outro na manga. Brian se mostrou desde o ínicio bastante astuto, e foi logo isso que eu vi nele.

Vince era extremamente bom a ler pessoas, mesmo por detrás do ecrã. Ele com certeza teria sido uma grande ameaça para qualquer um se tivesse sido ceifado em algum dos seus 18 anos. Ele leva cada pormenor que capta de cada pessoa em consideração e consegue montar em sua cabeça todos os cenários possíveis. Raros eram os anos em que ele não apostava num Tributo vencedor ou, que ao menos tenha chegado na final.

- Mas devo admitir que quase mudei de ideias nessa final, Anastácia mostrou ser muito mais do que o que aparentava para qualquer Tributo normal. Temo dizer que se ela não tivesse gasto seu molotov no escudo e braço do Carreirista, ela teria ganho. - ele complementa.

- Não sei não Vince, eu percebo a intenção dela. A condição de vitória dela aumentaria consideravelmente se ela se conseguisse livrar do escudo. Caso contrário, esta seria quase nula. Como ela o atacaria se ele acabasse por defender todas suas facas com o escudo? - Argumento de volta, mesmo sabendo que Vince teria uma resposta para mim na ponta da língua. Apesar de uma parte de mim se sentir péssimo por estar arguementando sobre a morte de outras pessoas, o conhecimento e ideias de Vince eram sempre interessantes e me enriqueciam enquanto mentor.

- Quem disse que ela teria que o atacar? - Ele sorri com todos os dentes, tal como previsto, sabia exatamente o que responder – Lembra-te do bestante atrás dele, Gabriel. Se ela tivesse atirado o molotov para as pernas do Carreirista, não só seria uma jogada menos óbvia – o que atrasaria o tempo de resposta de Brian – como mesmo que este se conseguisse defender parialmente com o escudo, o molotov sendo inicialmente um líquido iria inevitavelmente escorrer e salpicar um pouco para as pernas, o suficiente para danificar em muito a sua locomoção. Só era necessário isto e se afastar – o bestante trataria do resto. Claro que uma altura tão desesperada como a que em Anastacia foi colocada faz com que ela siga o caminho mais óbvio e que na sua cabeça lhe tiraria mais proveito da situação, que foi tal como tu disseste, livrar-se do escudo, ou da mão que o carregava – e provavelmente a garotinha não pensou nisto, mas eu duvido muito que os patrocinadores de Brian não lhe fossem enviar um escudo resistente ao fogo.

- Sempre me surpreendendo com as tuas manhas, Vince – levanto-me finalmente do sofá, e coloco minha mão no seu ombro – eu deveria seguir agora, antes que Miss Morette acorde e me expulse daqui com a vassoura.

O homem alto ri, dando-me uma tapa nas costas. - Ah vá Gabriel, como se ela fosse fazer isso. Aquela mulher adora-te. Se te visse dormindo no sofá pela manhã o mais provável é que fosse fazer uma festa para te receber quando acordasses.

Rio-me, contornando o sofá para me dirigir à porta. - Verdade, mas eu devo ir para casa. Tenho coisas para tratar amanhã de manhã. - Não era bem verdade, mas eu ainda esperava uma visita daquela garota estranha que me abordou antes para saber como o seu pai estava reagindo ao antídoto.

- Eu também, tenho que ir buscar os meus lucros das apostas. - Ele pisca o olho, sorrindo. - Amanhã vou comer como um rei.

- Guarda mazé o dinheiro homem, e passa lá em casa que eu te preparo o aperitivo que preparei ontem para Sylvaine. Quando ela acordar pergunta-lhe o que era. Agora que os Jogos terminaram, não tens desculpa para ficar agarrado à TV o dia inteiro. - Rio, e despeço-me assim,  já que a garota já ressonava no sofá novamente.



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Wallace McQueen

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MensagemAssunto: Re: Distrito 11   Sab Jan 21, 2017 8:17 pm



Turnê da Vitória



Brian Alderidge segue sua turnê para o Distrito 11, lugar ao qual vinham dois tributos que o rapaz matou na arena. Assim como no distrito anterior, o ambiente é pesado, mas as pessoas mantinham suas expressões fechadas e raivosas. Um ou outro aplaude, mas não havia qualquer sinal de aprovação ao rapaz.

Aloe Anderson e Gabriel Kavan passam pelo rapaz, sem demonstrar qualquer interesse em ter contato com ele. A mulher empina o nariz e evita ao menos um contato visual, já o vitorioso do Primeiro Massacre Quaternário faz um contato visual mínimo e o cumprimenta com um leve balançar de cabeça.

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Tanto o pedestal de Freya quanto o de Arnò estão vazios.

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Brian Alderidge

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MensagemAssunto: Re: Distrito 11   Seg Jan 23, 2017 11:18 pm


Brian



Sinto algo passando levemente pelo meu rosto, como as unhas de uma mulher, passando para lá e para cá, inocente, ou talvez com segundas intenções. Nos meus sonhos, vejo Ruby acariciando meu rosto com sua faca. Eu estava jogado na parede, sem saber o que fazer, com as mãos e pernas imóveis. Eu só era capaz de sentir.

De repente o rosto da minha aliada foi tomando proporções escuras, enquanto Ruby ria e queimava ao mesmo tempo, e então, Ruby morreu.

Abro os olhos abruptamente e vejo um vulto recuando na cama, passando o que parecia uma faca de cozinha nas minhas pernas. Sigo devagar com a mão no abajur e ascendo, esperando uma oportunidade para matar o lazarento.

O rosto de June aparece, com os olhos cerrados, ainda passando a faca pela minha perna. Ela leva um dedo a boca, pedindo para que eu ficasse quieto, vejo rapidamente com a mão que segurava a faca, que seus dedos estavam envolto da faca de uma forma agressiva. June iria tentar me matar ali mesmo, isso estava claro.

Seguro meu travesseiro com força. Se ela tentar qualquer coisa, afundo a cara dela nesse travesseiro. Minha mentora sofria de bipolaridade aguda, já tinha ouvido falar, já assisti sua participação nos jogos e vi as loucuras que ela era capaz de fazer, mas nunca havia chegado a esse ponto.

Ela tira o dedo da boca.

- Não se mexa.

June atira sua faca em minha direção e acaba acertando algo do meu lado. Viro meus olhos e vejo a faca cravada na cabeça de uma lagartixa. June começa a rir, se contorcendo na cama e caindo no chão. Ela rolava de tanto gargalhar, quando percebe o quão sério eu estava, minha mentora começa a chorar.

- Mas que porra...

- Desculpe, não queria te assustar... - Ela soluça. - Você estava dormindo tão bonitinho que eu fiquei com vontade de matar alguma coisa.

Pego meu travesseiro e jogo na cara dela.

- Então minha cara de bonitinho te da vontade de matar? Já prepara para assassinar o Distrito 11 inteiro então.

- Só quando você tá calado com a boca e os olhos fechados, babaca. Agora levanta e vá se arrumar porque já estamos no onze.

Ela abre a fechadura e quase quebra a porta ao sair.

- É, parece que alguém não tem tomado os remedinhos...

June abre a porta novamente e atira outra faca, dessa vez no outro travesseiro que estava do meu lado da cama.

- A terceira vai na sua cabeça. - E fecha a porta novamente.

+++

Subindo no palco do Distrito 11, vejo uma população em situação tão precária quanto no Distrito anterior. Foco em alguns rostos e olhares, o que me faz soltar um riso involuntário.

- Pelo menos eles demonstram o que estão sentindo. - Falo baixinho.

Vejo Aloe passando por mim, evitando qualquer contato visual e levantando o nariz, que sempre foi bem empinado. Gabriel também não me cumprimenta, mas troca olhares e da um "oi" com a cabeça.
Ele sabe que isso tudo é perda de tempo, sabe também que matou alguém do meu distrito nos Jogos e que só saiu vivo de lá porque fez o que tinha que fazer para sair vivo.

Nos pedestais de Freya e Arnò, não vejo ninguém, nenhum familiar que pudesse estar chorando e sentindo a ausência das suas presenças. Ótimo, isso torna a situação mais fácil para mim.

Chego mais a frente e começo o pequeno discurso que decorei ao escrever em Filha da Puta. Lembro-me bem como matei esses dois tributos e dizer algumas palavras não me custariam nada além de mais caras fechadas e irritadas.

- Fico feliz que estejam irritados por me encontrar aqui, isso mostra que vocês são um Distrito unido. Mantenham nesse caminho. Quanto aos tributos, fez parte do jogo, em momento algum se tornaram um alvo por serem do 11, mas sim porque minha volta dependia disso. Obrigado.

Aguardo suas reações, logo eu, que aguardava vaias recebi o mais absoluto silêncio.


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Horell Ironseed

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MensagemAssunto: Re: Distrito 11   Ter Jan 24, 2017 12:30 am


Horell Ironseed


Volto do mato onde passei a manhã inteira caçando aquela maldita ratazana para poder assar em casa mais tarde, quando vejo um alvoroço de pessoas no meio do pátio principal.

O que será que era? Os Jogos Vorazes já tinha acabado. Meu Deus, será que já estão fazendo uma nova colheita? De qualquer forma, ainda não tenho idade para ser mandado para arena, e se a sorte está mesmo ao meu favor, eu não irei nunca nunquinha.

Coloco a sacola com a ratazana morta nas minhas costas e guardo minha faca de cozinha na cintura. Era impossível ver quem estava em cima do palco com esse tanto de gente na minha frente. Não sei da onde as pessoas crescem tanto e ficam tapando a visão de quem realmente está interessado no assunto.

Passo no meio das pessoas como um rato, e acabo chegando na parte da frente do palco. Vejo o último vitorioso dos Jogos Vorazes bem na minha frente. Ele tinha matado Arnò e sua namorada, ou seja lá o que Freya era para ele. Conheci Arnò. Era um bom rapaz, apesar de não conversar muito comigo.

Brian começa seu discurso, mas meus olhos não seguiam o último vitorioso, e sim Gabriel Kavan, que venceu heroicamente a 25th edição e fez com que o povo o amasse. Aceno para Gabriel, mas ele parecia estar entediado demais ouvindo Brian falar. Aloe por outro lado, parecia ser mais metida, mas não deixava de ser uma heroína.

Olhando para eles dessa forma, tenho vontade de ser herói também, mas infelizmente não somos privilegiados como pessoas igual a Brian. A sorte não está ao nosso favor.



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Gabriel Kavan

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MensagemAssunto: Re: Distrito 11   Qua Jan 25, 2017 1:02 am



Gabriel Kavan

Se há coisa à qual ainda não estava habituado em toda esta nova vida enquanto Vitorioso, era ter de trocar as minhas caminhadas até à Praça Principal acompanhado por Vince e Sylvaine para ser acompanhado pela acompanhante da Capital do Onze, minha equipa de preparação e Aloe. Não que fossem más companhias, bem, pelo menos Aloe não é - mas o ambiente era tão diferente, que ainda não clicava bem na minha cabeça. Começando pelo facto de que tínhamos o luxo de ir para lá de carro, e não andar quase uma maratona desde o Orfanato para lá chegar, passando pelo enorme processo que leva os estilistas a me colocarem 'apresentável', quando antes era um dia de sorte se houvesse água no orfanato para tomar um banho sequer. Eles tinham-me esticado o cabelo por completo, fazendo-o parecer ligeiramente mais comprido que o normal, deixaram os meus piercings dourados mas cobriram meus braços tatuados com uma camisa de cor semelhante à das minhas jóias. Um pouco demais para mim, mas já me vestiram coisas piores na Capital.

Mas rotinas e hábitos são apenas poucas das mudanças que te tornam um Vitorioso. Pelas palavras de Sylvaine, eu me tornei mais pacífico e prestável, apesar de eu me sentir exatamente ou quase o mesmo. A única coisa que me parece ter mudado nesse aspecto, era a forma como as outras pessoas olhavam para mim. Eu já não era a ratazana suja com má fama no orfanato, ou mesmo no Distrito após terem apresentado o meu caso ao público durante o primeiro massacre. Agora eles pareciam me ver com outros olhos, e se isso se devia a respeito ou a medo - medo que agora eu, mais ligado à Capital, pudesse influenciar alguma coisa neles, - eu não faço ideia. Mas tampouco me interessava muito.

Chegando às traseiras da casa do Prefeito, estou a poucos minutos de me cruzar com o mais novo Vitorioso dos Jogos Vorazes. Este que por sua vez, em poucos minutos se apresentaria ao Distrito de onde tirou duas vidas. Não que eu sentisse que o poderia culpar por tal coisa, mas tampouco forçarei sorrisos com ele.

Após os últimos retoques, Aloe e eu somos liberados das nossas equipas de preparação com ordens para seguir para o palco. É aí que nos cruzamos com o mais recente Vitorioso, que apesar da minha mentora o ignorar por completo, eu limito-me a cumprimentá-lo apenas com um abanar de cabeça, que rapidamente volto a virar para a frente até passar pela enorme porta que nos apresenta ao público. Sentando-me nas cadeiras reservadas para nós, Brian junta-se no palco poucos segundos após.

O nosso Distrito recebe-o com o silêncio, apenas interrompido pelas palmas de quem posso imaginar ser Vince. Não posso, tenho a certeza.

Os pedestrais de ambos Arno e Freya estavam completamente vazios, pelo que Brian tinha alguma chance de não ser completamente odiado no Onze - tudo dependeria das suas palavras. Apesar de não estar com muita paciência para todas essas festividades, faço um esforço para escutar o que ele tem a dizer - porém, ele não começa da melhor forma. Eu tampouco era o melhor com palavras, mas começar um discurso dizendo estar feliz por o público alvo estar irritado parecia-me tudo menos uma boa ideia. Especialmente quando o público alvo é um Distrito como o Onze. Quando ele termina de falar, nem escuto as palmas de Vince, o que é um grande indicador de que o que me tinha passado pela cabeça era verdade. Porque o Vince sim, tinha muito jeito com as palavras. Claro que também pode ter sido Sylvaine a dar-lhe um pontapé para ele parar de fazer figura de urso, o que me parecia uma opção também bastante viável, mas desta vez eu iria apostar na primeira, até porque ouvir tais palavras ditas com tanta indiferença provavelmente deixara a pobre garota sem reação...

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Sylvaine Rois

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MensagemAssunto: Re: Distrito 11   Qui Jan 26, 2017 3:17 pm


Sylvaine Rois

- Bora, Vince, acorda. Metade do orfanato já seguiu para a Praça Principal. - bato uma e outra vez à porta do quarto do garoto. Eu tentara não levantar muito a voz para não incomodar os outros, mas quando o homem não me responde nem mostra sinais de estar acordado, grito o nome dele e bato à porta com mais intensidade. Cerca de 30 segundos depois, esta abre-se, mostrando um Vince aborrecido e sonolento. Não evito sorrir para ele, divertida. - Vai-te vestir homem, não queiras que o teu ídolo Brian te veja com esse aspecto.

- Ahah. Muito engraçadinha que tu estás, Sylvaine. - Ele começa a tirar a roupa de dormir, e tenho que ser eu a tomar a iniciativa de fechar a porta. - Despacha-te!, - grito do outro lado.

Cinco minutos depois, ele volta a abrir a porta, vestindo as roupas mais decentes que ele tinha, que sempre usava nestas ocasiões. - Bora, já vamos ter que apressar o passo.

Só poucos metros à frente do Orfanato que Vince se lembra de dizer que está com fome. Eu tinha tido tempo para enfiar dois pãezinhos nos bolsos, oferecendo um para o meu amigo e aproveitando para comer o meu também. Não era nada que nos fosse matar a fome por muito tempo, mas Gabriel tinha sempre o costume de nos convidar para irmos almoçar na casa dele após estes tipos de celebrações da Capital, e eu já estava contando com isso.

- Vá Vince, mais rápido. A continuar nesse passo de caracol, nunca mais chegamos lá. -

- Relaxa, pequena. Não é tão tarde assim. Sabes que o resto do Orfanato sai sempre primeiro porque é difícil manter um grupo de dezenas de crianças ordenado e bem comportado. - ele ri, mas tinha razão. Antes, era Vince que sempre se preocupava em chegar cedo à turné, justificando-se ao dizer que queria ver os Vitoriosos de perto. Mas desde que Gabriel venceu, que essa preocupação tem virado mais para mim que para ele, mas talvez eu esteja apenas me preocupando em demasia. A verdade é que quando Gabriel estava cá connosco, era acordava sempre tão tarde que eu e Vince tínhamos que acordar extra cedo só para obrigar o rapaz a sair da cama.  

A verdade é que apesar de eu e Vince nos dar-mos extremamente bem, estas caminhadas não eram o mesmo sem Gabriel. Apesar de não vivermos exatamente ao lado da Praça Principal, o Orfanato não era longe o suficiente para se qualificar a usufruir do serviço das carrinhas dos Pacificadores que oferecem transporte até lá. Também não me queixo, pois já ouvi como essas carrinhas não oferecem segurança alguma e que simplesmente empurram todos os cidadãos que couberem lá para dentro, onde são transportados que nem mercadoria de baixa qualidade.

- Não é que nos possamos queixar muito, né Sylvaine - o homem vira a cabeça para mim  - Nos Distritos mais a norte, está nevando agora mesmo. Se já faz frio aqui, imagina lá.

- Verdade... quando passaram a transmissão no Distrito 12, estava nevando. Nem imagino o que os cidadãos mais pobres passam nessas condições... - levanto a cabeça, olhando para o céu.

- Sabes o que isso signfica? - Vince pergunta, mais alegre agora.

 - O quê? -

- Que faltam cerca de seis meses para a próxima edição dos Jogos Vorazeeeeees! - ele fala com tanto entusiasmo que já parece um daqueles apresentadores da Capital. Eu não evito rir por conta da figura dele, mas não estava nem um pouco animada com isso.

Só chegamos cerca de uma hora depois à Praça Principal, e tal como Vince dissera, ainda vinhamos bem a tempo. Gabriel ainda nem estava no palco. Apesar da alegre viagem com Vince, não consigo estar feliz naquele lugar. Aliás, a única vez que isso aconteceu foi quando voltei a ver Gabriel aqui quando ele regressou dos Jogos. E mesmo nesse dia, as lembranças que tenho desse palco quase foram mais fortes. Agora, estar aqui tão perto dos pilares onde estariam as famílias de Arno e Freya - se eles não fossem orfãos como eu, Vince e Gabriel - deixa-me ainda mais deprimida. Não era a primeira vez que alguém do Orfanato perde a sua vida nos Jogos, e com certeza não será a última - mas mesmo não conhecendo bem Freya, senti a sua perda como se fosse família. Só pelo caos que se colocou no Orfanato naquele dia... não consigo nem pensar nisso bem.

Gabriel só aparece uns bons minutos depois, vestido de dourado e com o cabelo tão arranjadinho, que não evito soltar uma pequena risadinha. O coitado estava parecendo um faraó. O Distrito recebe-o bem como sempre, como se não fossem eles os culpados de ele ter passado por tudo isto, mas é Vince quem mais se faz ouvir no público, também já algo típico.

Assim que o nosso amigo se senta, Brian não tarda muito em aparecer também no palco. O nosso Distrito o receberia num completo silêncio, não fosse Vince insistir em lhe bater palmas, parecendo esperar ansiosamente o seu discurso.

Ambos escutamos com atenção as palavras de Brian. Todo o Distrito escutava, com os dentes cerrados em raiva. o ambiente estava realmente pesado, afinal, quem estava agora em cima do palco não havia pensado sequer duas vezes acerca de tirar a vida a dois dos nossos sem dó algum. Mas quando o Carreirista parece ter terminado de falar, o ambiente se torna ainda pior. Ouvia algums murmúrios, via punhos se cerrando. Desta vez, nem Vince bate palmas - se por não concordar com o que ele diz ou por saber que o Distrito se viraria contra ele se ele o fizesse, eu não sei nem vou pensar nisso. O que Brian acabara de dizer teria sido uma sentença de morte para ele, numa dimensão em que ele não estivesse protegido por tantos Pacificadores e em que ninguém sofresse consequências por isso. Porém, estamos em Panem, e os Vitoriosos - principalmente os de Distritos Carreiristas - são quase como filhos para as pessoas importantes de lá.

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