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 Distrito 06

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Alastor Romanov
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Mensagens : 310
Data de inscrição : 07/01/2016
Localização : Capital

MensagemAssunto: Distrito 06   Sab Jan 09, 2016 10:14 am

Relembrando a primeira mensagem :



DISTRITO 6


"A principal indústria do Distrito 6 é o transporte. É conhecido por ser muito instável e pela sua grande área."


Antecipando os dias da Colheita, o ambiente no Distrito 6 estava bastante tenso. Haviam menos gente na rua, as pessoas falavam menos e pareciam nervosas. Porém, o trabalho continuava.


ATENÇÃO: Utilize este tópico para interagir dentro do seu Distrito (sozinho ou com o seu companheiro de Distrito). Pode falar de tudo, desde do que está fazendo até ao que está sentindo. Aproveite para desenvolver a história do seu personagem. A postagem não é obrigatória, mas apenas a faça se tiver a certeza que não mudará o distrito e ocupação do seu personagem depois. E lembre-se: O seu personagem ainda não foi escolhido na Colheita.

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Otillie Ashby

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Localização : Distrito 6
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MensagemAssunto: Re: Distrito 06   Sex Dez 30, 2016 7:48 pm


Otillie Ashby
"I still believe in your eyes
I just don't care what you've done in your life."

O verde familiar ao meu redor me provoca vertigem e o perfume doce do ar, enjoo. As folhas das árvores balançam com o vento, derrubando algumas frutas e perturbando alguns ninhos de teleguiadas. Mas o que mais mexe comigo é o fato de eu estar sozinha. Não só de presença, mas também de sentimento. Caminho sem rumo por alguns metros, até ver alguém atrás de um arbusto. Meu coração gela, mas algo me diz que sei quem é aquela pessoa. Me aproximo com passos desengonçados, até a figura de Adam, o garotinho do Distrito 11 ao qual me aliei, se tornar completamente reconhecível. Tento verbalizar alguma coisa, mas não consigo. Ficamos nos encarando por alguns segundos, quando, de repente, um bestante surge em suas costas e salta para cima do garoto. Tento gritar, correr para ajudá-lo, mas não consigo me mover. Um canhão dispara... e eu acordo com o susto.

— Calma. Tá tudo bem. Eu tô aqui contigo.

Estou deitada no peito de Castiel e acabei caindo no sono. Ele me abraça mais forte, tentando me confortar. Por sorte, ele entende bem meus pesadelos. Um segundo canhão me assusta e chama a minha atenção para a televisão.

— Uma daquelas coisas explosivas acabou de matar o cara do 3. E parece que o garotinho também...

A câmera foca em dois tributos. O garoto carreirista do Distrito 2 e a garota do Distrito 5. Pelos comentários, apenas os dois estão vivos nessa altura. O garoto rola no chão, tentando apagar seu corpo em chamas, enquanto a garota assiste. A câmera foca novamente em outro lugar e o locutor diz que um bestante explosivo se aproxima da dupla. Meu coração dispara. Fecho os olhos para não ver o que acontece a seguir.

Escuto o barulho da luta que se segue e os comentários do locutor, que parece extremamente animado com a situação.

— Ah! O bestante!

Pelo grunhido produzido pelo carreirista, posso dizer que o bestante o atacou. Espero logo ouvir a explosão e o canhão. E, quando a explosão ressoa, Castiel também se manifesta.

— O quê?! Eu não acredito!!!

Abro o olho por curiosidade e vejo o carreirista caído no chão, enquanto o corpo totalmente desfigurado da garota está a vários metros dele. Fico sem entender.

— Ele jogou o bestante na garota... Usou o bestante para matá-la.

Castiel parece chocado. A imagem de meu irmão usando as teleguiadas para morrer logo surge em minha mente. Não tem jeito. No final, sempre somos nós, underdogs, contra os carreiristas. Com alguma sorte, algum de nós consegue sobreviver. Eu só estou aqui hoje porque meu irmão se sacrificou. Alpha só está aqui porque teve a ajuda de Athena. Poucos de nós, não-carreiristas, conseguimos vencer por realmente enfrentá-los de igual para igual. Se não fosse o fator sorte e ajuda, nenhum de nós estaria vivo.

— É. Os carreiristas sempre vencem.

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Alpha Malloch

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MensagemAssunto: Re: Distrito 06   Sab Dez 31, 2016 12:47 am


ALPHA MALLOCH

Estou deitado de forma desengonçada no sofá da sala de estar, com o projetor que emitia os Jogos Vorazes poucos metros à minha frente. a reação sonora da minha mãe ao canhão que se ouve disparar indica-me que esta ainda estava acordada, sabe-se lá porquê. Erie e as suas manias de assistir os Jogos até ao fim, mesmo que para isso implique ficares acordado a madrugada inteira. Ela deve achar que um Pacificador se vai dar mesmo ao trabalho de entrar de repente por aquela porta para a executar se, ai dela, adormecer por meia horinha durante a magnífica final desse evento tão emocionante. Ou isso ou ela pensa que me está fazendo um grande favor ao me fazer companhia enquanto eu finjo que presto atenção nessa coisa.

— Alphie, você está vendo isso!? - a voz dela torna a interromper, alguns minutos após. - Uma garotinha assim fazendo frente a um Carreirista...

— Eu não quero saber, mãe - interrompo logo ali, levantando o olhar do caderno que havia pego perdido no meio das minhas coisas em casa de Niklaus para me encontrar com os olhos dela — mas obrigado pelo relato, já não bastava a voz irritante desse locutor gritando a cada segundo, ainda tenho que levar com a sua também. - Ofereço-lhe um sorrisinho sonso, antes de colocar os olhos novamente no caderno. Reparo em que como já tinha inconscientemente riscado toda aquela pagina com a caneta, cuja ponta estava completamente roída. Bem, preferível isso ao hábito de fincar as unhas na minha própria carne. Rasgo a folha e a atiro para o chão.

Pelo aumento dos suspiros por parte de minha mãe juntamente com os gritos de entusiasmo do locutor, não restavam dúvidas que o novo Vitorioso seria anunciado a qualquer momento. Olho pelo canto do olho para o televisor bem a tempo de ver o Carreirista do 2 jogando o bestante que o atacara para cima da outra garota, que me lembro ter visto antes do desfile, se não me engano. Não que agora interessasse, pois acabara de lhe explodir um bestante na cara. Ótimo, finalmente já não tenho que me ralar mais com essa palhaçada por algum tempo.

Minha mãe levanta-se abruptamente do cadeirão, provavelmente pronta para ir dormir. Porém, em vez de se dirigir para o quarto, decide ficar ali especada a olhar para mim só porque sim.

— Que foi? - quando vejo que ela não me vai responder, pouso o caderno fechado ao meu lado e cruzo os braços sob o meu peito. - Ficou desiludida com o resultado? Deixa adivinhar, você também achava mesmo que o Seis receberia outro Vitorioso esse ano? Um Tributo do Seis, de tudo o que poderia morrer naquele lugar, a morrer de hipotermia. - Não evito soltar uma risada, mas minha mãe parece não estar gostando do rumo da conversa - Ah, me poupe, Erie. Você sabe bem que não voltará a acontecer tão cedo. Isso se sequer voltar a acontecer...

Minha mãe parece se preparar para responder, mas acaba soltando um longo suspiro em vez disso, enquanto abanava sua cabeça em negação.

— Contigo nada vale a pena, Alpha. - acaba por dizer apenas isto, ao qual não dou a mínima importância - - Mas claro que você já sabe disso.

Espero apenas ouvir a porta do seu quarto embatendo antes de me levantar do sofá para me dirigir ao meu. Não percebo bem o que Erie quis dizer com aquela última frase, mas estou demasiado cansado para me estar a ralar com birras e sentimentos de madrugada.


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Wallace McQueen

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MensagemAssunto: Re: Distrito 06   Qui Fev 02, 2017 11:46 pm



Turnê da Vitória



Brian chega no Distrito 6, lugar também bastante frio e cheio de neve. Como no Distrito 8, tudo é muito cinza e cheio de fábricas. A população parece estar tranquila, até conversam entre si antes do rapaz entrar no palco.

Já com os vitoriosos, a situação não parecia estar tão calma. Oliver entra no prédio ao lado de Otillie, com Alpha logo atrás deles. O homem tem seu olhar alto, sem qualquer preocupação com a presença de qualquer pessoa naquela sala. Já a garota, mantém seu olhar baixo, assim como o último vitorioso do Distrito 6, mas esse tem uma expressão amarrada e dura. Nenhum deles demonstra o mínimo de interesse em Brian, indo direto para o palco assim que chegam.

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Tanto no pedestal de Aura quanto no de Isaac não há ninguém.

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Otillie Ashby

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MensagemAssunto: Re: Distrito 06   Sex Fev 03, 2017 12:38 am


Otillie Ashby
"I still believe in your eyes
I just don't care what you've done in your life."

Meus olhos se abrem dez minutos antes do alarme me acordar. Viro-me para o outro lado da cama e fico encarando a pequena flor que Castiel me deu na última tarde em que nos vimos. Mesmo dentro de um copo com água, a flor já está começando a murchar. Aprecio o momento de paz até que o som do alarme finalmente me diz que tenho que me levantar.

O carro que irá nos levar até o centro do distrito não demora a chegar. Os pacificadores estacionam o automóvel no centro da Aldeia dos Vitoriosos e buzinam bem alto. Saímos de casa e já vejo Oliver junto aos pacificadores. Provavelmente, nem dormiu. Alpha e sua mãe saem de casa no mesmo instante que nós e a mulher logo vem até nós nos cumprimentando. Desejo um bom dia para Alpha e ele me devolve com um bom dia pouco convincente. Ao contrário de mim, ele não consegue esconder o descontentamento de ter que sair de casa a essa hora para ir "celebrar" mais um vitorioso carreirista.

Apenas nós seis vamos neste carro, de modo que eu e meus pais sentamos de um lado, enquanto Alpha, sua mãe e Oliver do outro, com a mulher entre os dois, os separando. Todos ficam em silêncio o caminho todo, menos nossas mães que conversam todo o tempo sobre receitas novas ou utensílios domésticos que receberam da Capital. Quando estávamos quase chegando, minha mãe engata no assunto Castiel Haxlocher e como ela está feliz por a filha encontrar um moço tão bem educado e bem apessoado. Tento não prestar atenção no assunto e pensar em outra coisa, até porque já percebi que Alpha amarrou ainda mais a cara e Oliver com uma expressão de sarro na cara. Não posso dar qualquer motivo para que meu mentor ache uma brecha para irritar ainda mais Alpha.

Quando chegamos à praça, meus pais se despedem de mim com um beijinho e vão junto ao resto da população. Oliver me espera à porta e me acompanha para dentro, enquanto Alpha permanece atrás de nós, sem parecer querer se enturmar. Assim que atravesso a porta, vejo o rapaz do Distrito 2. Sinto um desconforto muito grande com a presença do garoto ali. Não que ele tenha feito algo que me machucasse, mas não me sinto mesmo confortável de fingir simpatia por alguém que sentiu prazer em matar, ou que tenha se voluntariado para tal. As ações desse garoto são as mesmas dos carreiristas que ameaçaram a mim e a meu irmão nos Jogos. No fim, todos eles são iguais.

Finalmente, sentamo-nos em nossos lugares reservados, em ordem da edição em que vencemos. Então, acabo ficando entre Oliver e Alpha, o que acaba não se tornando algo ruim. Olho para os pedestais de Aura e Isaac e ambos estão vazios. Meu coração se aperta por lembrar que o rapaz morreu por hipotermia e eu não poder fazer nada para ajudá-lo. Sua popularidade não era alta a ponto de eu conseguir patrocinadores para eu mandar um cobertor que fosse. Olho para uma multidão despreocupada à procura de Castiel, mas acabo não o encontrando.

— A indiferença deles me irrita. - comenta meu mentor que está de braços cruzados, olhando para a população - Só estão agindo assim porque nenhum deles tinha família. Parece que não se importam que mais dois deles foram assassinados.

De certa forma, ele está certo. Mas o que eles podem fazer? Se rebelar fechando a cara para Brian? Se rebelar neste momento pela forma injusta como vivem? Tudo isso só traria ainda mais consequências piores para cada um deles. Entendo o lado de Oliver, mas também entendo como a população se sente.

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Alpha Malloch

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MensagemAssunto: Re: Distrito 06   Sex Fev 03, 2017 2:14 am


ALPHA MALLOCH

Acordo com o maldito televisor da Capital berrando algo sobre o mais novo Vitorioso estar já quase a chegar ao Distrito Seis. Ora muito obrigado, querido comentador, por me lembrares da ridícula razão que me vai obrigar a estar mais uma vez perante todo o Distrito a aturar cerimónias que não me interessam, ditas por pessoas que não me interessam. Claro que em vez de tratar todas as chatices de uma vez, não, a Capital insiste em dar um espaço enorme por entre os eventos para manter as cabeças vazias desse povo ocupadas com algo. E é por isso que eu, agora fazendo parte do magnífico leque de fantoches cujo proveito é esse mesmo, tenho que colocar o cu fora de casa em pleno Inverno, quando nem sei se a maldita porta da entrada vai abrir com a quantidade ridícula de neve que caiu durante a noite.

Só dá tempo de trocar de roupa para mais uma fatiota ridícula deixada pela minha equipa de preparação para este tipo de ocasiões e de meter um pouco de pão à boca, quando aqueles desgraçados já começam buzinando como se fosse o fim do mundo. Minha mãe que toma a iniciativa de abrir a porta, e eu apenas sigo-a sem tentar esconder o meu aborrecimento. Se já foi a maior seca tomar parte na minha própria turnê, nem imagino o quão aborrecido será ter que passar pelo mesmo mas só para assistir a um outro idiota a falar.

A família de Otillie sai ao mesmo tempo que nós de casa e Erie já vai correndo para os cumprimentar. Eu limito-me a apenas retribuir os bons dias a Otillie quando ela mos dá, mais interessado em ver como Oliver já estava lá perto dos Pacificadores como se este fosse o dia mais entusiasmante da sua vida.

Eles acabam por nos enfiar a todos no mesmo carro, o que me faz logo me encostar de forma a conseguir ficar olhando pela janela e evitar conversas forçadas. A viagem não é longa e seria calma e silenciosa se não fossem pela minha mãe e a senhora Ashby que não se calam por um simples segundo. No início só falam de cozinha e receitas, mas quando eu penso que a conversa não podia ficar mais chata e desinteressante, o assunto vira para o novo amorzinho de Otillie. Com elogios para aqui e para ali, não evito revirar os olhos. Nunca conversei com Castiel nem tenho a mínima intenção de, até porque desde que ele apareceu na vida de Otillie que pouco tenho falado com ela. Mas muito menos minha mãe, que no entanto respondia com encanto aos comentários da Sra. Ashby como se concordasse em ele ser a pessoa mais maravilhosa desse mundo.

Chegamos à Praça Principal e ao sairmos do carro, indico logo para a minha mãe ir ter com o resto da população. Sem mais demoras ou lamechices, deixo Otillie seguir à minha frente com Oliver até à porta da casa do Prefeito. Não consigo evitar lembrar da primeira vez que estive aqui com esses dois, bem antes de me ceifarem para os Jogos sequer, quando o idiota do Oliver decidiu dar-me um soco na cara. Bons tempos.

Vemos logo Brian assim que entramos no edifício, mas eu estou pouco me cagando para a presença dele ali. Só quero despachar essa merda para não me chatearem por mais algum tempo. Sigo então até à entrada para o palco ignorando completamente o rapaz, aguardando que abrissem as mesmas.

Sento-me no lugar reservado ao lado de Otillie e fico olhando para o nada, esperando logo que o desgraçado aparecesse para acelerar isto. Meus olhos passam pelo pedestal reservado à família de Aura, que estava completamente vazio, mas nem aí sinto alguma pena da garota. Tampouco me sentia mal pela sua morte, que nada a ver teve com o meu desempenho enquanto mentor, a coitada apenas foi burra e ainda levou com uma estalactite em cima. Oh sim, uma pena.

Ouço Oliver cochichando alguma coisa e me concentro para conseguir perceber as suas palavras. Algo sobre como o povo estava tão indiferente e pouco se importando perante o sucedido. Tenho que me conter e segurar um bocejo, estava à espera de ouvir algo mais interessante. Nem digo nada porque eu já pouco me importo estando aqui em cima, não fosse pelo facto de ter que servir de mentor agora… quanto mais quando estava ali em baixo, enquanto cidadão comum com preocupações bem fora do espectro dos Jogos Vorazes. Enfim. Cruzo os braços e volto a olhar para o nada, esperando esse tal Brian chegar.


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Brian Alderidge

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MensagemAssunto: Re: Distrito 06   Sex Fev 03, 2017 3:20 pm


Brian



Mais um dia entediante se passa desde que visitei o Distrito 7. Faço alguns exercícios em meu quarto para passar o tempo e percebo que essa quantidade de músculos que me deram só serviu para me fazer carregar mais peso. Minha força era a mesma, velocidade a mesma, tudo a mesma coisa. Ainda assim, eu não me sentia muito bem nessa merda toda de músculos, mas é algo no qual eu posso me acostumar.

Tomo um café da manhã bem reforçado e um longo banho gelado. Minha equipe de preparação entra no quarto e me prepara para conhecer a população do '6. Tento me recordar dos tributos do Distrito no qual estava prestes a chegar, mas só me lembro de ver a garota treinando combate corpo-a-corpo durante o treinamento. A garota era forte, mas precisaria de muito mais prática para ficar boa no que estava fazendo.

Pergunto à Robert como ambos morreram e ele me diz que a garota morreu para uma estalactite. Imediatamente me recordo de quando quase morri para uma daquelas pragas também.

- Vamos logo, quero voltar para casa. - Diz June, aparentemente irritada.

A porta do trem se abre e vejo neve caindo do céu. Agora faz sentido a equipe de preparação ter me dado uma blusa para entrar no Distrito. Vejo uma população indiferente, tanto para mim quanto para os mortos nos Jogos. Alpha e a outra vitoriosa do Distrito, Otillie, já estavam sentados junto a Oliver. Para um distrito sem carreiristas, o '6 até que tinha uma quantidade considerável de vitoriosos. Vejo uma certa impaciência dos vitoriosos por me verem ali e terem que aguardar toda essa baboseira acabar.

Vejo as opções de cartões que Robert havia me dado e decido pegar o discurso mais longo. Leio o cartão lentamente, sem pressa de acabar. Quando finalmente termino, vejo que não há ninguém no pedestal dos tributos da última edição. Lembro das palavras de Robert, dizendo que o tributo masculino morreu de hipotermia no deserto. O rapaz fora bem carismático durante a entrevista e não valia a pena perder uma chance dessas.

- Uma pena ver que os tributos morreram dessa forma, eu mesmo quase tive uma morte como o de... - Faço um pequeno intervalo, tentando me lembrar do nome da garota. - Aura. Quanto ao rapaz carismático, poderia ter grandes patrocinadores, mas vejo que seus mentores não fizeram muito para ajudá-lo.

Levanto uma das mãos, me despedindo do público e entro no trem. Quando olho para os vitoriosos e suas caras, não consigo conter um riso malicioso. A porta do trem se fecha e acredito que agora era a parte mais difícil da viagem. Distrito 5, o mesmo distrito de Anastácia.


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Alpha Malloch

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MensagemAssunto: Re: Distrito 06   Ter Fev 07, 2017 8:58 pm


ALPHA MALLOCH

Já perdi a conta de quantas vezes tive que bocejar durante esse discurso patético. Já não bastava ser longo para caramba, o desgraçado ainda decidiu ler aquilo em câmera lenta, tá querendo me irritar, só pode. Já estou pronto para me levantar da cadeira quando o desgraçado pousa o cartão, mas por algum motivo ele fica encarando o público e os pedestrais de Aura e lá do outro antes de começar a falar de novo. Mas o que é que ele queria agora!?

Inclino-me mais para a frente, desta vez prestando atenção ao que ele diz, porque sabia que dali só podia sair merda. E, obviamente, acabo por ter razão. Não é que o idiota culpa a mim e Otillie pela morte do desgraçado do Isaac, que mesmo vivendo num Distrito como o Seis acabou morrendo por hipotermia? Preciso de me conter para não soltar uma risada ali mesmo, mas o garoto só pode não bater bem. Primeiro por me incluir nessa equação quando eu não tinha um único dedo sobre Isaac, até porque quando ele morreu já estava eu de volta ao Seis em muito tempo. Segundo, porque Otillie não tinha nada que procurar quem lhe enviasse fosse o que fosse para o outro imbecil, se o coitado não sabe o que fazer pra evitar uma hipotermia, que passasse mais tempo fora de casa a trabalhar como o resto do Distrito. Problema dele. Agora, claro que eu compreendo que alguém como Brian não entenda isso, já que vem de um Distrito em que a sua mentora perturbada não tem problemas em vender o corpo em troca de conseguir enviar um inútil diário para a Arena só porque aqui o príncipe fica frustrado se não escrever nele… Pelo que nem dou importância ao assunto, não fosse o maldito ainda ter a lata de se rir para nós ao abandonar o palco para dentro do Edifício da Justiça. Agora sim o desgraçado tinha pisado a linha.

Sou o primeiro de nós três a levantar da cadeira, mas com um ar sério e focado em Brian, que agora seguia à nossa frente para dentro do Edifício. O coitado deve-se achar muito engraçadinho, achando que sendo um Carreirista, que os outros Distritos não podem tocar nele… pena que ele não deixe de ser a minoria. Vai ser engraçado tê-lo no leque de mentores daqui para a frente, quero só ver a cara dele quando perceber que a sua fama é apenas algo breve.


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Angel Hartheal

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MensagemAssunto: Re: Distrito 06   Qui Mar 09, 2017 3:42 pm


ANGEL HARTHEAL


Minha mamãe vem me acordar antes mesmo do Sol nascer. Os remédios eu me lembro de ter embalado todos ontem à noite, por que ela me acordaria uma hora dessas?

Coço meus olhinhos e sigo cambaleando para o banheiro, lavar o rosto. Quando volto ao quarto, minha mãe já separava uma troca de roupas para mim, camiseta e calça que uma vez já foram brancas, mas agora estão tão velhas que a cor aparentemente estava em algum tom de bege.

- Minha filha, você está descalça? O que faríamos se você pegasse alguma gripe? – Ela diz me entregando meu único par de sandálias. – Vista-se. Mamãe precisa que você saia vender hoje, está bem?

Concordo com a cabeça e começo a me vestir, ainda de olhos fechados.

- Mas, mamãe, porque terei que vender hoje?

- Precisamos de dinheiro extra para o aluguel da farmácia, se não mal conseguiremos nos manter esse mês. Você sabe como o papai está doente, não sabe?

- Sei...

- Então, meu Bem. Venha, preparei um chá para você tomar.

Sigo minha mamãe até à cozinha e tomo meu chá mate diário. Meus pais sempre me falaram que chá acalmava o coração e espantava os resfriados, e como o ‘6 é um Distrito bem gelado, qualquer coisinha errada vira resfriado.

Antes do papai ficar doente, ganhávamos muito dinheiro com a farmácia, mas por conta do alto custo dos remédios eu sabia que nossa situação iria piorar. Não entendo nada dessa coisa de dinheiro. É tão superficial. Pessoas idolatram o dinheiro, a ponto de vê-lo como se fosse um deus ou algo do tipo. Enquanto eu só vejo vantagem em ter saúde para gastar dinheiro com comida e para encher minha barriguinha.

- Onde vou vender hoje, mamãe?

- Preciso que vá em todas as casas próximas à Vila dos Vitoriosos...

Minha mãe continua falando mais alguma coisa sobre os Jogos Vorazes, mas ao ouvir “Vila dos Vitoriosos” minha cabeça retorna ao dia em que conheci meu vitorioso predileto, Alpha Malloch.

Durante os Jogos me lembro bem de tudo o que ele fez, acompanhei cada detalhe e todas as reprises. Alpha venceu heroicamente e ainda assim cuidou ao máximo da sua parceira de Distrito. Seu olhar e a forma com que ele subiu na Cornucópia, botando medo nos outros tributos, me criar histórias sobre nós dois antes de dormir.

Se bem que na última vez que o encontrei a situação não caminhou nada bem, ainda bem que a Senhora Erie comprou bastante calmante para ele.


+++


MESES ANTES, UM DIA APÓS A TURNÊ DO VITORIOSO DA 27th EDIÇÃO

Lembro do quão animada eu estava por finalmente ter a oportunidade de conhecer Alpha na Vila dos Vitoriosos. Mamãe explicou que o trabalho seria complicado, pois os homens de branco não podiam ver o que eu estava fazendo, mas sempre tive o dom de não ser notada pelas pessoas. Acho que ninguém liga de ver uma menininha com um cesto andando pra lá e pra cá no ‘6.

Assim que pisei dentro da Vila dos Vitoriosos, bati primeiro na casa de Ottillie, focando em deixar Alpha para o final. O dinheiro que eu havia conseguido já era o suficiente por hora, mas sabia que quanto mais dinheiro, melhor papai ficaria. A Vitoriosa não me atendeu, insisti algumas vezes, mas ninguém me abriu a porta. Ottillie sempre foi tão doce com todos, era de fato estranho ver que ninguém abriu a porta.

Viro meus olhares para a casa de Alpha. Sinto meu corpo enrijecer. Era hora de conhecer meu herói.

Bato algumas vezes na porta, para ver se realmente havia alguém lá dentro ou se estava vazia como na casa de Ottillie. Vejo uma senhora, a mãe de Alpha, abrir a porta e me dar o mais gracioso sorriso, fazendo despertar em mim uma vontade ainda maior de conhece-lo.

- Ah, oi, Senhora Erie - digo, perdida com o sorriso -, gostaria de saber se o Alpha está...

Sinto meu rosto corar com o pedido e vejo que a Senhora Erie também ficou um pouco confusa, mas ainda assim atendeu ao que pedi.

-Alphie, é para ti! - Ela chama, e não demora muito a obter uma resposta.

- Quê? Quem é!? - a voz do vitorioso ecoa pela casa, porém ele não aparece, fazendo aumentar ainda mais minha ansiedade em conhece-lo - Ah, não interessa! Manda-o embora!

Minha mamãe se lembra bem do quanto eu torci para que ele vencesse os Jogos, mesmo ficando triste por vê-lo matar alguém. Mas eu sei de todo coração que Alpha jamais faria uma coisa dessas se não fosse extremamente necessário, eu sei disso.

A Senhora Erie chama o Vitorioso, mas ele aparentemente não quer assunto com ninguém. O que será que eu fiz a ele? Apesar de me mostrar um sorriso tímido e esperar alguma explicação minha, fico perdida e meio sem reação alguma.

Eu tinha que saber, por quê Alpha estava bravo comigo? Olho nos olhos da mãe do meu herói e sorrio amigavelmente para ela, dobrando as pernas e levantando a pequena cesta de remédios para cima da cintura.

- Me desculpe, não quis incomodar vocês. - Suspiro, chateada. - Será que a Senhora poderia insistir, por favor? É extremamente importante...

Mesmo confusa, a mãe do Vitorioso atende meu pedido.

- Alphie, parece ser importante! Vá lá, com certeza não vai demorar muito!  

- CARAMBA, ERIE! É assim tão difícil fechar uma porta!? – ouço uma voz masculina reclamando lá dentro.

Alpha finalmente aparece, vindo do corredor ao fundo da sala. O Vitorioso parecia extremamente cansado e aborrecido. Ele se aproxima da porta com os braços cruzados sobre o peito e me encara seriamente.

- Uma criança? Sério, Erie, tu não consegue despachar uma criança!? - Ele levanta a voz subitamente, para falar com sua mãe, abaixo a cabeça de imediato e ouço ele reclamar algo sobre eu ser criança. - O que é que tu quer!?

Olho para cima novamente e vejo o quão Alpha era mais alto pessoalmente. Abro a boca, mas não conseguia dizer uma única palavra. Meu corpo entra em estado de alerta ao ouvir sua voz sendo direcionada para mim.

- Meu papai está doente, estou vendendo remédios para conseguir pagar os dele. – Olho para o chão e volto novamente para Alpha. Vejo a cicatriz em seu olho agora cego, feito conquistado na 26th edição dos Jogos Vorazes. Tudo o que sinto é a necessidade de ajudá-lo. - O Senhor precisa de algo para dor? Tenho algo aqui que pode ajudar...

- Não preciso de nada, tô ótimo! - Ele reclama, com a irritação notável em sua voz e batendo o pé no chão, impaciente. - Agora desaparece, garota!

Sinto meus olhos enchendo de lágrimas. O que eu tinha feito a ele? Será que estava bravo por que falei com a mãe dele primeiro? Minhas mãos tremiam, mas mamãe disse que eu deveria insistir, e eu insistiria.

- Me desculpe, não quis incomodá-lo. - Enxugo as lágrimas nos meus olhos e volto a olhar para ele. - Só quero ajudar, não consigo vê-lo irritado dessa forma e não poder fazer nada. - Vasculho meu pequeno cestinho e encontro algo que realmente poderia acalmá-lo. - Encontrei! - Digo, animada. - Tenho calmante também, isso ajuda? – sorrio.

Vejo ele já pronto para fechar a porta, mas ao ouvir minhas últimas palavras, Alpha volta sua atenção para mim. Percebo seu maxilar cerrado, assim como suas mãos. À medida que ele se aproximava, eu me afastava.  

- Alpha! – Senhora Erie se vira para ele,  agarrando no seu braço - Agora não! – ela sussurra, mas eu ainda conseguia ouvi-la muito bem.

O vitorioso desprende o braço da mão de Erie e bufa para ela, antes de virar a atenção novamente para Angel.

- Quer mesmo ajudar!? Então desaparece daqui! E não volta a aparecer! - Ele atira os braços para o ar e dá meia volta, se retirando novamente pelo corredor. Consigo ouvir o estrondo dele pontapeando uma porta, já abafado pela distância, fazendo com que eu me contraísse ainda mais.

- Querida, desculpa, ele... - Senhora Erie se agacha e me encara, com uma expressão cheia de empatia - Ele tem andado muito estressado. Não pense que é pessoal, ele é assim com toda a gente. - A mulher então estende a mão para mim, acariciando meu rosto com um sorriso meigo. - Eu levo os calmantes. Por quanto ficam?


+++


Lembro da mamãe de Alpha ter ficado com tantos calmantes que de uma coisa eu tinha certeza, assim que eu aparecer lá hoje Alpha vai estar bem calmo para conversar comigo. Eu sabia que poderia ajuda-lo com o olho caso fosse necessário, eu sei que posso...

Bato em algumas casas, mas sempre procuro evitar os homens de branco e por onde passavam, mamãe me disse para não abusar da boa vontade deles em não me enxergar. Consigo algum dinheiro, mas ainda não era o suficiente para que o papai ficasse bem.

Quando finalmente chego na Vila dos Vitoriosos, sinto meu coração bater mais forte e Alpha me vem à cabeça. Senhora Erie me disse que ele andava estressado, então o ajudei com calmantes. Eu sabia que dessa vez poderia ajuda-lo com o olho ou o que fosse necessário. Faria de tudo para ajudar Alpha.

Bato minhas roupas e tento tirar o máximo de sujeita que posso antes de bater em sua porta.

Ajeito meu lacinho na cabeça e finalmente tomo coragem para falar com Alpha novamente. Tudo o que desejo na vida é que ele abra a porta com um sorriso.

Infelizmente, não parecia ter ninguém em casa.

- Ei, garota, o que está fazendo aí? – diz um homem de branco. Sinto meu rosto corar, mas o respondo ainda assim.

- Eu vim ver o Alpha.

Ouço uma risada que ficava bizarra dentro daquele capacete. O homem ajeita a arma na mão e
depois de um tempo percebe que eu estava falando sério.

- O Vitorioso está indo para os Jogos Vorazes junto com os novos tributos. – Ele me chama para ir até ele. – O que tem dentro dessa cesta?

Meu corpo todo entra em estado de alerta. Alpha havia ido para os Jogos novamente. Será que ele estava bem? Será que tinha melhorado do stress? E pior, se esse homem descobrisse que estou vendendo remédios a situação pioraria e muito lá em casa.

- São minhas bonecas. – Respondo, tirando Julie de dentro da cesta. Onde quer que eu fosse ainda levava Julie para poder sair de algumas situações constrangedoras. Ela me ajudava e muito.

- Ah... – O homem de branco responde. – Ótimo. Agora saia da Vila dos Vitoriosos e vá para casa ver o que os vitoriosos estão aprontando nesse ano.

Contorno o Pacificador e sem nem ao menos responde-lo, corro para casa. Alpha tinha ido com outros dois tributos aos Jogos e eu não podia perder um momento sequer do que ele faria com os tributos desse ano.

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